Astrônomos registram colisão inédita entre planetas

Evento foi observado em tempo real a 11 mil anos-luz e pode explicar a formação de sistemas como Terra-Lua

Redação

Publicado em: 20 de março de 2026

5 min.

Astrônomos registram colisão inédita entre planetas Foto: divulgação

Astrônomos da Universidade de Washington (UW) identificaram evidências raras de uma colisão catastrófica entre dois planetas em um sistema estelar distante. O fenômeno ocorreu ao redor da estrela Gaia20ehk, localizada a cerca de 11 mil anos-luz da Terra, na constelação de Pupis, e foi acompanhado praticamente em tempo real pelos cientistas.

A descoberta foi publicada na revista científica The Astrophysical Journal Letters e se baseia na análise de variações incomuns de luminosidade e emissões intensas de calor detectadas desde 2016.

Observação inédita em tempo real

Segundo os pesquisadores, o processo de colisão começou com impactos parciais registrados ao longo de anos, até atingir um ponto crítico por volta de 2021.

O principal autor do estudo, Anastasios Tzanidakis, explicou que a estrela, antes considerada estável e semelhante ao Sol, passou a apresentar quedas bruscas de brilho. Esse comportamento foi atribuído à formação de uma grande nuvem de detritos rochosos e poeira orbitando o sistema.

Ao mesmo tempo, houve um aumento significativo na radiação infravermelha, indicando que o material gerado pela colisão estava extremamente aquecido.

De acordo com os dados coletados, os dois planetas teriam gradualmente se aproximado até colidirem de forma definitiva.

O que acontece após a colisão

O impacto gerou uma vasta nuvem de fragmentos que agora orbita a estrela a uma distância semelhante à da Terra em relação ao Sol — cerca de uma unidade astronômica.

Os cientistas destacam que esse tipo de evento pode levar à formação de novos corpos celestes ao longo do tempo. O processo de resfriamento e solidificação desse material pode durar desde alguns anos até milhões de anos.

Semelhanças com a formação da Lua

Um dos pontos mais relevantes da descoberta é a semelhança com um evento ocorrido há cerca de 4,5 bilhões de anos no nosso próprio sistema solar.

De acordo com a teoria mais aceita, a Lua se formou após uma grande colisão entre a Terra primitiva e um corpo do tamanho de Marte.

Para os pesquisadores, observar esse tipo de fenômeno em outro sistema pode ajudar a entender melhor a origem do nosso planeta.

“Se pudermos observar mais momentos como este em outros lugares da galáxia, aprenderemos muito sobre a formação do nosso próprio mundo”, afirmou Tzanidakis.

Por que essa descoberta é importante

  • Permite observar um processo raro em tempo real
  • Ajuda a entender como planetas e luas se formam
  • Oferece pistas sobre a história do sistema solar
  • Amplia o conhecimento sobre a dinâmica de sistemas estelares

A descoberta reforça a importância do monitoramento contínuo do espaço e abre novas possibilidades para compreender como estruturas planetárias surgem e evoluem ao longo do universo.


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