Teve início nos últimos dias a 26ª edição do Big Brother Brasil (BBB), um dos reality shows mais longevos e rentáveis da televisão brasileira. Apesar das críticas recorrentes e da parcela do público que afirma não acompanhar o programa, um dado chama a atenção do mercado: a expectativa é que o BBB 26 movimente cerca de R$ 1,5 bilhão em publicidade, consolidando-se como um dos maiores produtos comerciais do audiovisual nacional.
Para entender por que o programa segue atraindo anunciantes e audiência em larga escala, o repórter Matheus Machado, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, conversou com o doutor em Comunicação e especialista em memória e neurociência do consumo, Mário Abel Bressan Júnior, que analisa o fenômeno sob a ótica do comportamento do consumidor e das estratégias de mídia.
O maior produto do audiovisual brasileiro
Segundo o especialista, o Big Brother Brasil ultrapassa, em termos de investimento publicitário, produtos tradicionais da televisão aberta, como o Jornal Nacional e a novela das nove. Para ele, o sucesso financeiro do programa está diretamente ligado ao formato de reality show, um gênero altamente consumido no Brasil.
“O Brasil é um dos países que mais consome reality shows. O fato de o Big Brother chegar à 26ª edição demonstra isso. Nenhum outro país conseguiu manter o formato por tanto tempo com tamanha relevância comercial”, afirma.
Narrativa transmídia amplia o alcance
Um dos principais fatores que explicam a força do BBB, de acordo com Mário Abel, é a estratégia transmídia adotada pela produção. O programa deixou de ser apenas um produto da televisão aberta e passou a ocupar, de forma intensa, redes sociais, plataformas digitais e debates cotidianos.
Mesmo quem não acompanha os episódios na TV acaba consumindo o conteúdo em outros formatos, como vídeos curtos, comentários, memes e notícias. “Todo mundo fala do Big Brother. Essa presença em múltiplas plataformas amplia o alcance e mantém o programa constantemente em evidência”, explica o pesquisador.
Veteranos, memória e familiaridade
Nas últimas edições, a produção passou a apostar no retorno de ex-participantes que marcaram o público em temporadas anteriores. Para o especialista, essa escolha não é aleatória e está diretamente ligada aos mecanismos da memória e do consumo.
A presença de participantes já conhecidos gera familiaridade imediata no espectador. “O cérebro reconhece aquele personagem e isso faz com que ele se destaque em relação aos novos participantes. A familiaridade é um fator decisivo no consumo”, destaca Mário Abel.
Além disso, personagens que já geraram conflitos, engajamento ou identificação no passado tendem a reacender o interesse do público, aumentando a audiência e, consequentemente, o valor comercial do programa.
Conflito e emoção como motores da audiência
O BBB se estrutura a partir das relações humanas, dos conflitos, alianças e disputas internas. Segundo o especialista, esse tipo de dinâmica é fundamental para manter a atenção do público ao longo da temporada.
“O programa se alimenta das discussões humanas, das intrigas, das estratégias e das relações interpessoais. É isso que prende a audiência e sustenta o interesse contínuo”, avalia.
Nostalgia e emoção influenciam decisões de compra
A estratégia de recorrer ao passado não é exclusiva do Big Brother. Mário Abel explica que grandes marcas vêm utilizando cada vez mais a nostalgia como ferramenta de comunicação, presente em filmes, séries, moda e campanhas publicitárias.
Em um cenário marcado pela aceleração tecnológica e pelo excesso de estímulos, o resgate de memórias afetivas gera sensação de conforto e identificação emocional. “A decisão de compra nunca é totalmente racional. Ela é profundamente emocional. Quando uma marca ativa esse estado emocional, ela se aproxima mais do consumidor e aumenta seu poder de persuasão”, afirma.
Esse movimento ajuda a explicar por que o entretenimento, especialmente quando aliado à emoção e à memória afetiva, continua sendo um dos setores mais lucrativos da indústria cultural.
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