Inspirado pela força do cinema nacional e pelo filme “Ainda Estou Aqui”, indicado a prêmios em 2025, um grupo de mulheres deu um passo além da tela para as ruas. Assim nasceu o bloco “A Vida Presta”, um coletivo que surgiu dentro do movimento “Elas” e que, em seu primeiro desfile no ano passado, reuniu 88 mulheres em um ato de celebração e união.
Em 2026, com o aumento assustador dos casos de feminicídio no país, o bloco assumiu um posicionamento ainda mais firme e urgente. Seu lema carnavalesco é um grito de alerta e proteção: “No Carnaval ninguém solta a mão de ninguém. Juntas na diferença e unidas pela vida.” Para elas, a folia ganha um significado profundo: “Resistir, sambar e existir. Porque a alegria é revolucionária.”, destaca a organização do grupo.
O coletivo, que hoje conta com 100 integrantes oficiais e dezenas de simpatizantes, não desfila apenas com fantasias e música. Entre os tamborins e o suor, elas carregam placas e mensagens de conscientização sobre o feminicídio. Ocupar o espaço público com alegria se tornou, para o coletivo, um ato político inadiável. “É impossível se calar diante da violência”, é o sentimento que ecoa entre as participantes que contam com moradores de Itajaí, Navegantes, Penha, Balneário Camboriú e Florianópolis.
No último Grito de Carnaval, o bloco foi ovacionado pelo público, que reconheceu a potência de sua mensagem. A musa do grupo é a Drag Ceia Maravilha, símbolo da diversidade e da arte que fortalece a causa. Presidido por Ana Cláudia Junges e organizado por uma comissão ativa de mulheres, o “A Vida Presta” estará presente nas ruas e na Vila do Carnaval com programação própria.
Mais do que um bloco, é um movimento. Em meio à euforia da festa, elas lembram: enquanto houver mulheres sendo assassinadas por serem mulheres, o samba será também um luto coletivo — e a resistência, uma obrigação de todas.
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