Um novo estudo científico identificou uma quantidade significativamente maior de água antiga aprisionada no meteorito marciano conhecido como Black Beauty (NWA 7034). A pesquisa, publicada em 13 de janeiro no servidor de pré-impressão arXiv, utilizou uma técnica inovadora de varredura por nêutrons para mapear o interior da rocha sem fragmentá-la, ampliando as estimativas anteriores sobre a presença de água no material.
Considerado o meteorito marciano mais antigo já encontrado na Terra, o Black Beauty pode oferecer pistas inéditas sobre a história aquática de Marte e seu potencial para ter abrigado formas de vida no passado.
O que é o meteorito Black Beauty
O Black Beauty, oficialmente catalogado como NWA 7034, é um fragmento de aproximadamente 320 gramas proveniente de Marte. Ele foi encontrado em 2011 por nômades no Deserto do Saara, no Marrocos, embora não haja registro preciso de quando caiu na Terra.
A rocha se destaca por:
- Coloração escura intensa, acentuada por polimento em uma de suas faces;
- Composição incomum em comparação com outros meteoritos marcianos;
- Idade estimada em pelo menos 4,44 bilhões de anos, tornando-se o meteorito marciano mais antigo identificado até hoje.
Estudos anteriores indicam que o fragmento teria sido ejetado da cratera Karratha, próxima ao equador de Marte, após o impacto de outro corpo celeste entre 5 e 10 milhões de anos atrás.
Técnica inovadora permitiu análise completa
Desde 2013, cientistas já sabiam que o Black Beauty continha vestígios de água. No entanto, as análises detalhadas exigiam a destruição de pequenas amostras da rocha, o que limitava os estudos.
O novo trabalho superou essa barreira ao utilizar uma técnica semelhante à tomografia computadorizada. Em vez de raios X, os pesquisadores empregaram nêutrons — partículas altamente eficientes na detecção de átomos de hidrogênio, elemento essencial da água.
Essa abordagem permitiu realizar a primeira análise abrangente de todo o conteúdo hídrico do meteorito sem danificá-lo.
Quanto de água foi encontrado
Os resultados indicam que a água representa cerca de 0,6% da massa total do Black Beauty. Embora o percentual pareça pequeno, ele é significativamente maior do que estimativas anteriores.
A maior parte da água está aprisionada em pequenos fragmentos minerais chamados clastos, compostos por oxihidróxido de ferro rico em hidrogênio (FeHO₂). Esse material é semelhante ao principal componente da ferrugem e se forma quando o ferro reage com a água sob alta pressão, como durante impactos meteóricos.
O que isso revela sobre Marte
A descoberta reforça evidências de que Marte já foi um planeta muito mais úmido do que aparenta hoje. Apesar de sua superfície atual ser árida e empoeirada, estudos geológicos e dados orbitais sugerem que grandes oceanos podem ter existido no planeta até cerca de 3 bilhões de anos atrás.
Pesquisas recentes também apontam para:
- Gelo enterrado próximo ao equador marciano;
- Depósitos gelados em regiões elevadas;
- Um vasto reservatório subterrâneo identificado em 2024.
Nesse contexto, o Black Beauty se consolida como uma das evidências diretas mais antigas da presença de água em Marte.
Importância científica e próximos passos
Com o cancelamento da missão da NASA que traria à Terra amostras coletadas pelo rover Perseverance, meteoritos como o Black Beauty permanecem como principal fonte direta para o estudo da água marciana em laboratórios terrestres.
A nova análise amplia o entendimento sobre como Marte adquiriu e preservou sua água ao longo de bilhões de anos. Além disso, contribui para o debate científico sobre a possibilidade de ambientes potencialmente habitáveis no passado do Planeta Vermelho.
O estudo ainda aguarda revisão por pares, mas já é considerado relevante por reforçar a hipótese de que Marte teve um passado significativamente mais úmido do que se imaginava.
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