Missão estuda interceptar objeto interestelar 3I/ATLAS

Proposta prevê manobra inédita próxima ao Sol e viagem que pode durar até 50 anos

Redação

Publicado em: 24 de fevereiro de 2026

5 min.

Missão estuda interceptar objeto interestelar 3I/ATLAS Foto: Nasa

Uma proposta de missão espacial está avaliando a possibilidade de interceptar o 3I/ATLAS, terceiro objeto interestelar identificado atravessando o Sistema Solar. O estudo analisa alternativas técnicas para alcançar o visitante cósmico, mas aponta que, devido à alta velocidade e à órbita incomum, uma missão direta é considerada inviável no cenário atual.

A única alternativa apontada como possível é um sobrevoo rápido. Nesse modelo, a espaçonave não entraria em órbita ao redor do objeto, mas passaria por ele em alta velocidade, coletando dados científicos em um curto intervalo de tempo.

O que é o 3I/ATLAS

O 3I/ATLAS é o terceiro objeto confirmado vindo de fora do Sistema Solar já detectado por astrônomos. Esses corpos, chamados interestelares, têm origem em outros sistemas estelares e atravessam o espaço até passarem temporariamente pela vizinhança do Sol.

Novas imagens obtidas pelo Telescópio Óptico Nórdico, em 11 de novembro de 2025, reforçaram o interesse científico no objeto. Pesquisadores avaliam que uma missão dedicada poderia oferecer informações inéditas sobre a composição e a formação de corpos formados em outras regiões da galáxia.

Como funcionaria a missão

Para tentar alcançar o 3I/ATLAS, os cientistas estudam o uso da chamada Manobra Solar de Oberth — uma estratégia que utiliza a gravidade e a velocidade para maximizar a eficiência do combustível.

O plano prevê:

  • Lançamento da espaçonave a partir da Terra;
  • Sobrevoo por Júpiter para aproveitar a gravidade do planeta;
  • Redirecionamento em direção ao Sol;
  • Acionamento dos motores no ponto de maior aproximação solar, aproveitando o chamado efeito Oberth para obter aceleração máxima.

Essa técnica permite que a nave ganhe velocidade adicional ao realizar a queima de combustível em um ponto de alta velocidade orbital, ampliando o impulso gerado.

Prazo longo e desafios técnicos

Mesmo com essa estratégia, o estudo indica que a janela de lançamento mais eficiente seria em 2035. Ainda assim, o tempo estimado de voo varia entre 35 e 50 anos.

Nesse cenário, a interceptação ocorreria apenas entre 2070 e 2085. Missões com duração inferior a três décadas são consideradas impraticáveis para essa rota específica.

Além do longo prazo, a proposta enfrenta desafios técnicos relevantes. Entre eles:

  • Necessidade de um escudo térmico robusto para suportar a intensa aproximação com o Sol;
  • Limitação na massa disponível para instrumentos científicos;
  • Precisão extrema na navegação, já que o encontro seria rápido e definitivo.

Por que a missão é considerada importante

Apesar das dificuldades, os autores do estudo defendem que a missão é factível com tecnologia avançada e planejamento de longo prazo. O principal objetivo seria obter dados diretos sobre a composição física e química de um objeto formado fora do Sistema Solar.

A análise de materiais interestelares pode ajudar a compreender como outros sistemas planetários se formam e evoluem, ampliando o conhecimento sobre a própria origem do Sistema Solar.

Se concretizada, a missão ao 3I/ATLAS representaria um marco na exploração espacial e na busca por respostas sobre a formação do universo.


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