Planejamento anual ajuda famílias a reduzir estresse e cuidar da saúde mental

Segundo a médica psiquiatra Priscila Rosaly Paegle Beltrão de Souza, muitas situações de ansiedade e depressão estão ligadas a frustrações e imprevistos.

Redação

Publicado em: 31 de dezembro de 2025

7 min.
Planejamento anual ajuda famílias a reduzir estresse e cuidar da saúde mental. Foto: Divulgação

Planejamento anual ajuda famílias a reduzir estresse e cuidar da saúde mental. Foto: Divulgação

Ainda estamos no período de férias, mas janeiro já é considerado um momento estratégico para olhar com atenção para o ano que começa. Trabalho, estudos, contas fixas e compromissos familiares costumam se acumular e, quando não há organização, podem afetar diretamente a saúde mental de adultos, crianças e adolescentes. A boa notícia é que o planejamento antecipado pode tornar essa rotina mais leve e equilibrada.

Segundo a médica psiquiatra Priscila Rosaly Paegle Beltrão de Souza, muitas situações de ansiedade e depressão estão ligadas a frustrações e imprevistos. Para ela, criar o hábito do planejamento dentro da família é uma ferramenta importante de prevenção ao estresse.

“Ensinar os filhos a planejar atividades anuais, mensais ou até do dia seguinte ajuda a reduzir a sensação de surpresa diante dos compromissos. O uso de caderno, papel e caneta é especialmente positivo, pois estimula mais o cérebro do que agendas digitais”, explica a médica.

Organização financeira e rotina familiar

A professora Kátia Kamers, de 46 anos, conhece bem os desafios de conciliar trabalho, família e bem-estar. Ela e o marido trabalham em três turnos e, junto com os filhos, organizam cuidadosamente o orçamento anual e as atividades em família.

De acordo com Kátia, o planejamento financeiro é essencial para evitar sobrecarga emocional no início do ano. “Sabemos que despesas como IPTU, IPVA, imposto de renda, material escolar e uniforme sempre chegam juntas. Por isso, reservamos parte do décimo terceiro salário para começar o ano com mais tranquilidade”, relata.

Além das contas fixas, a família também se planeja para momentos de lazer. Viagens são organizadas com antecedência, com recursos separados ao longo do ano. “Tudo é decidido em conjunto, para que não haja atropelos nem estresse”, acrescenta a professora.

Atividades em família fortalecem vínculos

Para a psiquiatra Priscila Rosaly, o planejamento não deve se limitar às finanças. Atividades em família são fundamentais para promover saúde mental e fortalecer vínculos afetivos. Ela destaca a importância de avaliar a identidade familiar e entender o que precisa ser melhorado na convivência diária.

“Piqueniques, trilhas, passeios de bicicleta e até cozinhar juntos são experiências que oferecem aprendizado emocional aos filhos. Quando os pais estimulam essas vivências, ajudam as crianças a desenvolver equilíbrio emocional e social”, afirma.

A médica também alerta para a importância de rotinas consistentes, como horários de sono, refeições em família e atividades extracurriculares. “Esses hábitos contribuem tanto para a saúde emocional quanto para a física, além de ajudar a revelar talentos que podem passar despercebidos”, orienta.

Pequenas atitudes, grandes resultados

Kátia reforça que, apesar da rotina intensa durante a semana, prioriza momentos simples de convivência. “O café da manhã e o almoço são oportunidades de sentar juntos, conversar e realmente estar presente. No fim de semana, buscamos deixar as telas de lado e aproveitar o tempo no interior, com atividades que aproximam a família”, conta.

Segundo a psiquiatra, atitudes como elogiar conquistas, incentivar pequenas vitórias e reduzir críticas excessivas são fundamentais, especialmente para crianças e adolescentes. “A autoestima é construída dentro de casa. Pais e responsáveis têm papel central na formação emocional dos filhos”, destaca.

Dicas para preservar a saúde mental da família

Entre as principais orientações da especialista estão:

  • Manter comunicação clara e respeitosa entre todos;
  • Evitar excessos, como o consumo de álcool em ambientes familiares;
  • Valorizar o diálogo e o acolhimento;
  • Estimular hábitos saudáveis e rotinas previsíveis;
  • Promover experiências em família fora das telas.

Planejar o ano, segundo a médica, não é buscar perfeição, mas criar condições para enfrentar desafios com mais equilíbrio. “Não existe fórmula mágica. São ações consistentes no dia a dia que fazem a diferença”, conclui.


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