Ser educado com IA melhora respostas? Ciência responde

Estudos mostram que o tom do pedido pode influenciar a qualidade das respostas — mas não há consenso entre pesquisadores

Redação

Publicado em: 7 de abril de 2026

5 min.
Ser educado com IA melhora respostas Ciência responde. - Foto: Canva

Ser educado com IA melhora respostas Ciência responde. - Foto: Canva

O uso de expressões como “por favor” e “obrigado” ao interagir com inteligências artificiais, como ChatGPT, Claude e Gemini, levanta uma dúvida cada vez mais comum: ser educado com a IA realmente melhora as respostas? A ciência ainda não tem uma resposta definitiva, mas já apresenta indícios importantes sobre o tema.

Embora essas tecnologias não possuam sentimentos, estudos recentes mostram que o tom utilizado nos chamados prompts — os comandos enviados pelo usuário — pode, sim, influenciar a qualidade das respostas geradas.

O que dizem as pesquisas

Um estudo conduzido pela Universidade de Waseda, no Japão, analisou o desempenho de diferentes modelos de linguagem a partir de prompts com variados níveis de polidez, em idiomas como inglês, japonês e chinês.

Os resultados indicaram que:

  • Prompts mal educados geraram respostas com mais erros, vieses e recusas;
  • Prompts excessivamente formais também apresentaram desempenho inferior;
  • O melhor resultado veio de um nível moderado de polidez.

Os pesquisadores destacaram ainda que o nível ideal de cortesia pode variar de acordo com o idioma e o contexto cultural.

Por que o tom pode influenciar a IA

Especialistas explicam que isso ocorre porque os modelos de linguagem são treinados com base em padrões humanos. Segundo Murray Shanahan, cientista da DeepMind, a IA funciona como uma espécie de “ator”, que reproduz comportamentos esperados em determinadas situações.

Assim, um pedido educado pode levar o sistema a responder de forma mais colaborativa, enquanto um comando agressivo pode resultar em respostas menos úteis.

Já Nathan Bos, da Universidade Johns Hopkins, aponta um fator prático: palavras como “por favor” ajudam a IA a identificar que se trata de um pedido, facilitando a construção da resposta.

Além disso, o tom pode direcionar o sistema a buscar referências linguísticas mais confiáveis, o que tende a melhorar a qualidade da informação.

Nem todos os estudos concordam

Apesar dessas evidências, nem toda pesquisa aponta na mesma direção.

Um estudo realizado no último ano testou 50 perguntas com diferentes níveis de polidez no ChatGPT-4o — variando de “muito educado” a “muito rude”. O resultado surpreendeu:

  • Perguntas mais rudes tiveram maior taxa de acerto (84,8%);
  • Perguntas muito educadas ficaram com menor precisão (80,8%).

Esse resultado contradiz o estudo japonês e mostra que o impacto da polidez ainda é um tema em aberto.

Afinal, vale a pena ser educado com a IA?

Mesmo sem consenso científico, há algumas conclusões práticas:

  • O tom do prompt pode influenciar o tipo de resposta;
  • Clareza e objetividade continuam sendo os fatores mais importantes;
  • Um nível moderado de educação tende a ser mais eficaz do que extremos.

Na prática, ser educado não é obrigatório — mas pode ajudar a estruturar melhor o pedido e, em alguns casos, melhorar a resposta.


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