Para quem convive com cães de pelagem abundante, a chegada do verão ou do inverno costuma trazer um desafio extra dentro de casa: a troca de pelos. O fenômeno é natural, acontece principalmente nas mudanças de estação e pode durar meses, exigindo ajustes na rotina dos tutores e cuidados específicos com a saúde dos animais.
Na casa da cozinheira Marili Campos, de 50 anos, a Shiba Inu Yakira está em pleno processo de renovação da pelagem desde o fim de novembro. Desde então, o sofá deixou de ser um espaço livre para a cadela e até o ventilador precisou ser desligado em determinados momentos para evitar que os fios se espalhassem ainda mais pelo ambiente.
“Mesmo escovando, depois de alguns minutos os tufos voltam a se soltar. Basta ela se sacudir que os pelos tomam conta da casa”, relata Marili. O aspirador de pó e os rolinhos removedores se tornaram itens indispensáveis no dia a dia da família.
Por que os cães trocam de pelo?
De acordo com a médica-veterinária Letícia Robalinho, a troca de pelos é um mecanismo essencial para a saúde dos cães. O processo permite a renovação de fios danificados, auxilia na regulação térmica, protege a pele e ajuda o organismo a se adaptar às variações de temperatura ao longo do ano.
“Em geral, a troca ocorre duas vezes ao ano, na primavera e no outono. No entanto, nem sempre esse ciclo acontece de forma regular”, explica. Fatores como alterações hormonais, luminosidade, temperatura ambiente, alimentação e genética influenciam diretamente a intensidade e a duração da queda.
Cães que vivem em apartamentos, com menor exposição à luz natural, ou que apresentam problemas hormonais e nutricionais podem ter a troca de pelos desregulada.
Raças com troca mais prolongada
A duração do processo varia conforme a raça e o tipo de pelagem. Animais com pelagem dupla, formada por pelo e subpelo, costumam enfrentar períodos mais longos de queda.
Entre as raças mais afetadas estão Shiba Inu, Husky Siberiano, Chow Chow e Spitz Alemão. Nesses casos, a troca pode durar de dois a quatro meses e, dependendo da rotina de escovação e dos cuidados adotados, se estender por até um ano.
Como lidar com a “nevasca” de pelos
Para minimizar os impactos da troca de pelos dentro de casa e garantir o bem-estar do animal, algumas medidas são fundamentais:
- Escovação regular: ajuda a remover os fios soltos antes que se espalhem pelo ambiente.
- Escolha da escova correta: escovas deslanadoras são indicadas para pelagens tipo lã; rasqueadeiras auxiliam na remoção de pelos mortos; escovas semelhantes às de cabelo humano são recomendadas para pelos longos.
- Banhos na medida certa: não devem ocorrer mais de uma vez por semana, para evitar o ressecamento da pele.
- Secagem adequada: falhas na secagem podem causar infecções de pele e comprometer a qualidade do pelo.
- Alimentação equilibrada: nutrição e suplementação corretas fortalecem a pelagem e mantêm a pele saudável.
Segundo a veterinária, a hidratação adequada e a manutenção de um ambiente limpo também contribuem para atravessar esse período com menos transtornos.
Quando a queda de pelos é sinal de alerta
Embora a troca seja normal, alguns sinais indicam que a queda pode estar associada a problemas de saúde. Na renovação fisiológica, o pelo cai, mas a pele permanece saudável, sem coceira, feridas, mau cheiro ou falhas visíveis.
Já situações que exigem atenção incluem:
- Pelagem opaca e quebradiça;
- Falhas aparentes ou áreas “carecas”;
- Coceira intensa, vermelhidão ou crostas na pele;
- Mau cheiro persistente;
- Mudanças de comportamento, como apatia ou perda de apetite.
A recomendação é procurar um médico-veterinário sempre que a queda for muito intensa, repentina ou durar mais de dois meses, além da presença de qualquer um desses sinais associados.
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