Um vinho produzido na Serra da Mantiqueira, em São Paulo, ganhou reconhecimento internacional ao entrar na lista World’s Best Sommeliers’ Selection 2026, que reúne rótulos escolhidos por especialistas de restaurantes renomados ao redor do mundo.
O destaque brasileiro é o Grama 2024, da vinícola Casa Tés, um blend das uvas Sauvignon Blanc e Sémillon. O rótulo foi o único representante do Brasil entre os 115 vinhos selecionados de 16 países na edição deste ano da premiação, divulgada em Londres.
A seleção é considerada influente no mercado de vinhos porque é feita por sommeliers e diretores de bebidas de restaurantes premiados internacionalmente, responsáveis por cartas de vinhos em estabelecimentos de alto nível.
Painel reúne especialistas de restaurantes premiados
Entre os profissionais responsáveis pela escolha dos rótulos está Kristell Monot, sommelier-chefe do restaurante espanhol Mugaritz, que figura entre os estabelecimentos destacados no ranking The World’s 50 Best Restaurants.
O painel de degustação também conta com especialistas ligados a restaurantes brasileiros reconhecidos no cenário gastronômico, o que reforça a representatividade da seleção.
A lista tem apoio editorial da William Reed, empresa responsável por rankings globais como The World’s 50 Best Restaurants, The World’s 50 Best Bars e The World’s 50 Best Hotels.
Europa lidera a seleção de rótulos
Na edição de 2026, a Itália aparece como o país com maior número de vinhos selecionados, com 20 rótulos. Portugal ocupa a segunda posição, com 18, seguido pelos Estados Unidos, com 17.
A América do Sul também ampliou presença na lista. Ao todo, 26 vinhos da região foram incluídos, com destaque para produções da Argentina, Chile e Uruguai.
Mesmo com apenas um rótulo, a presença brasileira pelo segundo ano consecutivo indica maior atenção internacional à produção nacional.
Características do vinho brasileiro
O Grama 2024 é um vinho branco elaborado com uvas cultivadas no Vale da Grama, região situada no município de São Sebastião da Grama, no interior paulista.
Os vinhedos ficam a cerca de 1.020 metros de altitude, em uma área que anteriormente abrigava plantações de café. O terroir local combina solos com argila e rochas graníticas, além de clima com grande variação de temperatura entre dia e noite.
A produção utiliza dois processos de fermentação: parte do vinho passa por barricas de carvalho francês, enquanto outra parte é fermentada em tanques de aço inox, estratégia que busca equilibrar estrutura e frescor.
Especialistas descrevem o rótulo como um vinho com perfil aromático cítrico e floral, além de notas de frutas tropicais no paladar.
Vinícola aposta em produção de pequena escala
A Casa Tés foi criada em 2017 pelo advogado Pedro Testa, que decidiu investir em viticultura na Serra da Mantiqueira.
A propriedade ocupa uma área montanhosa com altitudes entre 950 e 1.300 metros, onde são cultivadas variedades como Cabernet Franc, Merlot, Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e Sémillon.
A produção é limitada e os vinhos são vendidos diretamente pela vinícola para clientes cadastrados em um sistema de alocação.
O rótulo Grama 2024, comercializado por cerca de R$ 250, já se encontra esgotado.
Produção brasileira ganha espaço internacional
O reconhecimento internacional do vinho da Mantiqueira ocorre em um momento de crescimento do setor vitivinícola brasileiro.
Regiões como Serra Gaúcha, Serra Catarinense, Vale do São Francisco e Sul de Minas Gerais vêm ganhando destaque em concursos e rankings internacionais.
Além da expansão da produção, também cresce o interesse do mercado por vinhos brancos, rosés e espumantes mais leves, tendência observada entre consumidores nos últimos anos.
Dados do setor indicam ainda aumento das exportações brasileiras de vinhos e espumantes, com presença em mais de 60 países.
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