MPSC cobra ações imediatas de Porto Belo e Bombinhas por uso irregular de temporários

Os prefeitos têm cinco dias para informar quais providências serão adotadas.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 29 de novembro de 2025

5 min.
MPSC cobra ações imediatas de Porto Belo e Bombinhas por uso irregular de temporários. Foto: Divulgação/MPSC

MPSC cobra ações imediatas de Porto Belo e Bombinhas por uso irregular de temporários. Foto: Divulgação/MPSC

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Porto Belo, expediu recomendações aos Municípios de Porto Belo e Bombinhas para corrigir o possível uso irregular de contratações temporárias. Os prefeitos têm cinco dias para informar quais providências serão adotadas.

A medida foi tomada após análises que identificaram descumprimento da Constituição Federal e desrespeito a termos de ajustamento de conduta (TACs) firmados há mais de dez anos, os quais já determinavam a substituição de temporários irregulares por servidores concursados.


Porto Belo: seletivos sobrepostos e concursos ignorados

Em Porto Belo, o inquérito civil apontou que a Secretaria de Educação abriu o Processo Seletivo 4/2024 mesmo com o Processo Seletivo 6/2023 ainda vigente. A sobreposição amplia o espaço para contratações temporárias em áreas com concurso válido.

Representações recebidas pela Promotoria também indicaram contratações temporárias em funções permanentes — como motorista socorrista, cirurgião-dentista, técnico de informática e professores — apesar da existência de concurso público com aprovados aguardando nomeação.

Segundo a promotora de Justiça Daianny Cristine Silva Azevedo Pereira, a administração tem recorrido de forma inadequada ao modelo temporário. Ela afirma que as funções contratadas não se enquadram nas hipóteses excepcionais previstas em lei e lembra que o TAC firmado em 2012 já determinava a reorganização do quadro de pessoal.


Bombinhas: dependência estrutural de temporários

A situação em Bombinhas também foi considerada irregular. Mesmo com o Concurso Público 1/2024 homologado — com mais de 200 aprovados apenas para odontologia — o município lançou o Processo Seletivo 1/2025 para preencher vagas nas mesmas áreas com vínculos temporários.

A Promotoria identificou prorrogações sucessivas de contratos em setores essenciais, como enfermagem, radiologia, nutrição, saúde e educação. Houve ainda casos de recontratação anual e desrespeito à ordem classificatória de aprovados. Em determinado período, o município chegou a ter 12 enfermeiros temporários para 14 efetivos, demonstrando dependência estrutural desse tipo de vínculo.

O diagnóstico também aponta que mais de um terço do quadro funcional é composto por temporários, muitos atuando em funções permanentes. Bombinhas estaria descumprindo o TAC firmado em 2011, que proibia contratações fora das hipóteses legais.

De acordo com a promotora Daianny, a manutenção de temporários em áreas permanentes afronta diretamente o princípio do concurso público quando há candidatos homologados aptos à nomeação.


Recomendações e prazo

Diante das irregularidades identificadas, o MPSC recomendou que os municípios:

• suspendam novas contratações temporárias irregulares;
• revisem os vínculos existentes e encerrem aqueles fora das hipóteses legais;
• nomeiem os aprovados em concursos vigentes, respeitando a ordem classificatória;
• encaminhem, em cinco dias, relatório com as medidas adotadas.

O Ministério Público reforça que a manutenção de temporários fora das hipóteses constitucionais pode configurar ato de improbidade administrativa, sujeitando gestores e agentes públicos à responsabilização.


FIQUE BEM INFORMADO:
Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
Clique aqui e acompanhe.



× SCTODODIA Rádios