Crítico vê consolidação do cinema brasileiro após indicações de “O Agente Secreto” ao Oscar

A produção concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Seleção de Elenco

Eduardo Fogaça

Publicado em: 9 de fevereiro de 2026

5 min.
Crítico vê consolidação do cinema brasileiro após indicações de “O Agente Secreto” ao Oscar. Foto: Divulgação

Crítico vê consolidação do cinema brasileiro após indicações de “O Agente Secreto” ao Oscar. Foto: Divulgação

O cinema brasileiro voltou a ocupar o centro do cenário internacional com força histórica. O longa-metragem “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, igualando o recorde alcançado por Cidade de Deus em 2004. A produção concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator, com Wagner Moura, e Melhor Seleção de Elenco.

O anúncio reforça um momento de consolidação do audiovisual nacional. O feito ocorre apenas um ano depois de um marco inédito: em 2025, o Brasil conquistou sua primeira estatueta do Oscar com Ainda Estou Aqui, vencedor na categoria de Melhor Filme Internacional. Para especialistas, os resultados apontam menos para um sucesso isolado e mais para uma mudança estrutural no setor.

Um retrato político e humano do Brasil dos anos 1970

Ambientado em 1977, durante a ditadura militar, O Agente Secreto acompanha a trajetória de Marcelo, personagem vivido por Wagner Moura. Professor universitário, ele foge de São Paulo para o Recife após receber ameaças, ao mesmo tempo em que tenta reconstruir a relação com o filho.

O filme transforma o Carnaval pernambucano e a paisagem urbana do Recife em cenários de tensão permanente, onde vigilância, paranoia e medo se misturam ao cotidiano. A narrativa combina suspense político e drama familiar, marca recorrente na filmografia de Kleber Mendonça Filho.

Crítico aponta amadurecimento e estabilidade do cinema nacional

Em entrevista à rádio Cidade, o crítico de cinema Max Alexandre Fortes Jorge avaliou que as indicações representam uma virada de chave para a cultura brasileira.

Segundo ele, o país sempre teve talento, tanto na direção quanto na atuação, mas sofreu historicamente com descontinuidade de políticas culturais. Para o crítico, o momento atual vai além de uma simples retomada.

“O que vemos agora não é apenas uma retomada, mas uma estabilização do cinema brasileiro, do que ele representa e de onde pode chegar”, afirmou.

Max Alexandre destacou que, diferentemente de produções anteriores indicadas ao Oscar, como O Quatrilho, Central do Brasil ou Cidade de Deus, o novo longa simboliza um estágio mais maduro da indústria nacional.

“O cinema brasileiro foi capaz de realizar O Agente Secreto. Isso muda tudo”, avaliou.

Expectativa de prêmios e presença ampliada no Oscar

Além do destaque principal, o Brasil também aparece em categorias técnicas. O diretor de fotografia Adolfo Veloso surge entre os favoritos ao Oscar pelo trabalho em Sonhos de Trem, ampliando ainda mais a presença brasileira na premiação.

A 98ª edição do Oscar será realizada no dia 15 de março, em Los Angeles, com apresentação de Conan O’Brien. Independentemente do resultado final, o Brasil já assegurou um lugar de destaque na história recente da maior premiação do cinema mundial.

Para críticos e profissionais do setor, o cenário atual deixa uma mensagem clara: talento sempre existiu. O diferencial agora está no foco, no investimento contínuo e no reconhecimento da cultura como ativo estratégico do país.


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