Comissão da Câmara pode votar projeto “Minha Primeira Arma” nesta terça

A proposta é de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e tem parecer favorável do relator, deputado Zucco (PL-RS)

Eduardo Fogaça

Publicado em: 10 de fevereiro de 2026

5 min.
Comissão da Câmara pode votar projeto “Minha Primeira Arma” nesta terça. Foto: GettyImages

Comissão da Câmara pode votar projeto “Minha Primeira Arma” nesta terça. Foto: GettyImages

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados pode votar, nesta terça-feira (10), o projeto de lei que cria o programa “Minha Primeira Arma”, voltado à concessão de incentivos para a aquisição da primeira arma de fogo no Brasil. A proposta é de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS) e tem parecer favorável do relator, deputado Zucco (PL-RS).

O projeto prevê a isenção de tributos federais — como IPI, Imposto de Importação, PIS e Cofins — sobre a primeira compra de arma de fogo de uso permitido, desde que o cidadão cumpra todos os requisitos legais. O texto também abre a possibilidade de financiamento com juros e prazos diferenciados, além de subsídios proporcionais à renda, medidas que deverão ser regulamentadas por decreto.

Segundo o autor, a iniciativa busca “promover a democratização do acesso à legítima defesa”, respeitando critérios de segurança, legalidade e responsabilidade individual. Na justificativa, Pollon argumenta que a carga tributária atual impõe um custo elevado a produtos relacionados à segurança pessoal, mesmo quando adquiridos por cidadãos que atendem às exigências legais.

Quem pode ser beneficiado

O projeto define categorias preferenciais para atendimento no programa, entre elas:

  • Vítimas de violência doméstica com medida protetiva;
  • Vítimas de crimes contra a vida e o patrimônio;
  • Moradores de áreas rurais consideradas vulneráveis;
  • Pessoas com renda familiar de até cinco salários-mínimos.

A execução do programa ficaria sob responsabilidade de um comitê interinstitucional, com representantes dos ministérios da Justiça, da Fazenda e da Defesa, além de instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Polícia Federal e Exército Brasileiro.

Como funciona hoje a compra de armas no Brasil

Atualmente, a aquisição de armas de fogo é regulamentada principalmente pelo Estatuto do Desarmamento e por normas complementares. Não há incentivos fiscais, e todos os impostos incidem normalmente sobre a compra.

Para adquirir uma arma de uso permitido, o cidadão deve cumprir uma série de exigências, entre elas:

  • Ter idade mínima de 25 anos;
  • Comprovar necessidade para defesa pessoal;
  • Possuir residência fixa;
  • Comprovar ocupação lícita e renda;
  • Ser aprovado em avaliações técnica e psicológica;
  • Não possuir antecedentes criminais ou responder a processo penal.

O processo inclui requerimento junto à Polícia Federal, pagamento de taxas, análise documental, autorização para compra e registro da arma no Sistema Nacional de Armas (Sinarm).

Há regras específicas para CACs (caçadores, atiradores e colecionadores) e para integrantes das forças de segurança pública, que seguem normas próprias quanto a limites de aquisição e calibres permitidos.

Caso seja aprovado na comissão, o projeto ainda precisará tramitar em outras etapas da Câmara antes de seguir para o Senado.


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