Relator do TSE afasta cassação de Jorge Seif e aponta ausência de provas

Ministro Floriano de Azevedo Marques vota contra pedido que poderia tirar mandato do senador catarinense e torná-lo inelegível por oito anos

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 10 de fevereiro de 2026

4 min.
Relator do TSE vota para manter mandato de Jorge Seif ao afirmar que não há provas de abuso de poder econômico na campanha de 2022

Relator do TSE vota para manter mandato de Jorge Seif ao afirmar que não há provas de abuso de poder econômico na campanha de 2022. - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um passo importante no julgamento que pode definir o futuro político do senador Jorge Seif (PL-SC). Nesta terça-feira (10), o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo, votou para rejeitar o pedido de cassação do mandato e de declaração de inelegibilidade do parlamentar.

No voto, o ministro concluiu que não há provas robustas capazes de sustentar a acusação de abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral de 2022. Segundo ele, a legislação eleitoral exige comprovação concreta das irregularidades alegadas. “Não se pode concluir pela existência de abuso baseando-se em presunções”, afirmou.

Julgamento ainda não terminou

O TSE analisa um recurso apresentado contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), que já havia rejeitado a cassação do senador. Apesar do voto do relator, o julgamento ainda não foi concluído. Outros seis ministros ainda devem se manifestar sobre o caso.

Se o pedido fosse acolhido pela Corte, Jorge Seif poderia perder o mandato no Senado e ficar inelegível por um período de oito anos.

Entenda o caso

A ação foi movida pela coligação Bora Trabalhar, formada por PSD, Patriota e União Brasil. Os adversários políticos de Seif alegam que sua campanha ao Senado teria sido beneficiada de forma irregular por empresários e por uma entidade sindical, sem a devida declaração à Justiça Eleitoral.

Entre os principais pontos levantados no recurso estão:

  • a utilização de um helicóptero pertencente ao empresário Osni Cipriani para deslocamentos de campanha;
  • o suposto uso da estrutura de empresas do empresário Luciano Hang, incluindo transporte aéreo, produção de conteúdo para redes sociais, gravação de lives e participação de funcionários na divulgação da candidatura;
  • o alegado financiamento de propaganda eleitoral por uma entidade sindical.

Defesa nega irregularidades

Jorge Seif, que foi secretário de Aquicultura e Pesca no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e atua como empresário, sempre negou qualquer irregularidade. A defesa sustenta que todas as ações da campanha ocorreram dentro da legalidade e que não houve abuso de poder econômico.

Com o voto do relator, o processo segue em análise no TSE e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias, a partir dos votos dos demais ministros da Corte.


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