Suprema Corte dos EUA anula tarifas, mas Trump impõe taxa de 15%

Para o Brasil, o efeito prático é a substituição de parte das tarifas consideradas ilegais por uma nova sobretaxa temporária

Eduardo Fogaça

Publicado em: 23 de fevereiro de 2026

7 min.
Suprema Corte dos EUA anula tarifas, mas Trump impõe taxa de 15%. Foto: Divulgação

Suprema Corte dos EUA anula tarifas, mas Trump impõe taxa de 15%. Foto: Divulgação

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou as chamadas tarifas “recíprocas” impostas por Donald Trump, na última sexta-feira (21), mudou o cenário do comércio internacional — mas não encerrou a cobrança sobre produtos estrangeiros. Em menos de 24 horas, o presidente americano anunciou uma nova tarifa global de 15% sobre importações, que começa a valer às 00h01 (horário de Washington) desta terça-feira (24) e pode durar até 150 dias, salvo prorrogação pelo Congresso.

Para o Brasil, o efeito prático é a substituição de parte das tarifas consideradas ilegais por uma nova sobretaxa temporária. Algumas cobranças, no entanto, seguem ativas.

O que decidiu a Suprema Corte

Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente não poderia utilizar uma lei de emergência para aplicar tarifas amplas sobre praticamente todos os países.

Com isso, foram anuladas:

  • A tarifa geral de 10% aplicada a partir de abril de 2025;
  • A sobretaxa adicional de até 40% sobre diversos produtos brasileiros.

Essas medidas haviam elevado a carga total para até 50% em alguns casos, principalmente após reajustes anunciados ao longo do ano passado.

Nova tarifa global de 15% já tem data para valer

No mesmo dia da decisão judicial, a Casa Branca anunciou uma nova tarifa global de 10%, que no sábado foi elevada para 15%, dentro dos limites previstos pela legislação comercial de 1974.

A medida:

  • Passa a valer à 0h01 desta terça-feira (24);
  • Pode vigorar por até 150 dias;
  • Funciona como adicional sobre a tarifa normal de cada produto.

Na prática, mantém-se a alíquota original e soma-se a cobrança temporária de 15%, salvo exceções previstas.

Como o Brasil é afetado agora

O Brasil está entre os países atingidos pela nova tarifa global. No entanto, a taxa não se aplica a todos os produtos. Mercadorias já taxadas por razões de segurança nacional seguem regras próprias. Alguns itens agrícolas e minerais considerados estratégicos também ficaram de fora.

Ainda não está totalmente claro se a nova tarifa de 15% será aplicada cumulativamente sobre produtos que já possuem tarifas específicas. Em 2025, a tarifa global de 10% foi somada a taxas adicionais em alguns casos, enquanto outros países conseguiram exclusões após negociações.

O que continua valendo para produtos brasileiros

As tarifas aplicadas com base em argumentos de segurança nacional não foram afetadas pela decisão da Suprema Corte.

Veja a situação atual:

  • Aço: 50% (ativa)
  • Alumínio: 50% (ativa)
  • Peças de cobre: 50% (ativa)
  • Madeira: 10% (ativa)
  • Demais produtos: nova tarifa adicional de 15%

Ou seja, setores estratégicos como siderurgia e metais seguem com alíquotas elevadas.

Histórico das tarifas desde 2025

A escalada das tarifas começou em abril de 2025. Veja a linha do tempo:

  • Abril de 2025: Brasil passa a pagar tarifa ampla de 10%;
  • Junho: aço e alumínio sobem para 50%;
  • Julho: alguns produtos recebem aumento adicional de 40%;
  • Novembro: parte das sobretaxas é retirada após negociações;
  • Sexta-feira (20): Suprema Corte anula tarifas baseadas na lei de emergência;
  • Sábado: governo anuncia nova tarifa global de 15%.

Brasil está melhor ou pior?

Segundo levantamento da Global Trade Alert, o Brasil aparece entre os países com maior redução na tarifa média após a reconfiguração das medidas adotadas pelos Estados Unidos.

A estimativa aponta queda de 13,6 pontos percentuais na tarifa média, considerando o auge do chamado “tarifaço” em 2025 e o novo arranjo com a taxa global de 15%.

Isso indica que, apesar da nova cobrança adicional, o nível médio de taxação ficou abaixo do pico registrado no ano passado, quando parte das exportações brasileiras enfrentou alíquotas de até 50%.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o efeito imediato da decisão judicial é positivo para o Brasil, especialmente por reduzir incertezas jurídicas.

Cenário ainda é incerto

A nova tarifa pode vigorar por até 150 dias e o governo americano sinalizou que pode recorrer a outros instrumentos legais para estabelecer novas cobranças.

Para exportadores brasileiros, o momento é de cautela. O impacto dependerá da duração da medida, de eventuais negociações diplomáticas e de possíveis novos desdobramentos no Congresso dos Estados Unidos.


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