A rede hoteleira de Criciúma enfrenta um cenário preocupante em 2025. A taxa média de ocupação dos hotéis da cidade ficou em torno de 55% ao longo dos últimos 12 meses, índice considerado baixo para o potencial do município. O dado foi apresentado pelo presidente do Sindicato dos Bares, Hotéis e Restaurantes de Criciúma, Joster Fávero, durante entrevista concedida nesta quarta-feira (25), à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, ao jornalista Denis Luciano.
Segundo Fávero, empresários do setor relataram queda na ocupação em comparação com 2024. Em alguns casos, a média anual caiu de 53% para 49%. Ele destacou que o desempenho está abaixo da curva histórica do setor e não se trata de sazonalidade.
“A média dos 12 meses ficou na casa dos 55%, o que é extremamente baixo para o potencial que a cidade tem”, afirmou.
Finais de semana puxam média para baixo
De acordo com o presidente do sindicato, o principal problema está na baixa ocupação entre sexta-feira e domingo. Enquanto de segunda a quinta-feira os hotéis registram ocupação entre 70% e 80%, nos finais de semana o índice despenca para cerca de 20%.
Esse comportamento impacta diretamente a média mensal e anual da rede hoteleira.
Além disso, o setor também percebe uma redução nas visitas comerciais à cidade, especialmente de representantes do varejo e da indústria, movimento que já vinha sendo observado nos últimos cinco anos. Antes da pandemia, a ocupação durante a semana chegava a 85% ou até 90%.
Falta de grandes eventos é apontada como principal causa
Para o sindicato, a ausência de um calendário consistente de eventos é o principal fator que explica o baixo desempenho dos hotéis, especialmente nos finais de semana.
Atualmente, apenas um grande evento anual tem impacto significativo na rede hoteleira: o encontro promovido pela Abapai, que reúne um grande público na cidade. Para uma cidade do porte de Criciúma, o número é considerado insuficiente.
“A gente precisa urgentemente pensar em eventos que atraiam público de fora, do Estado e do Brasil inteiro. Hoje temos apenas um evento que realmente lota a rede hoteleira. É muito pouco”, destacou Fávero.
Impacto atinge bares e restaurantes
A baixa ocupação hoteleira também afeta diretamente bares e restaurantes. Segundo o presidente do sindicato, o impacto é automático: menos hóspedes significam menos clientes nos estabelecimentos gastronômicos.
Além disso, uma pesquisa realizada no segundo semestre do ano passado revelou que cerca de 65% da população de Criciúma frequenta restaurantes apenas em datas especiais ou menos de uma vez a cada 30 dias. O dado amplia o desafio do setor, que depende tanto do público local quanto de visitantes.
Setor cobra orçamento e planejamento estratégico
O sindicato defende a criação de um orçamento específico para o turismo, com aplicação prática e planejamento estruturado. Entre as sugestões está a definição clara de metas, prazos, responsabilidades e recursos — modelo conhecido como 5W2H na gestão.
Fávero também defendeu um esforço conjunto entre iniciativa privada, trade turístico e poder público para estruturar um calendário permanente de eventos.
A expectativa é que, com planejamento e captação de recursos, Criciúma possa ampliar sua capacidade de atrair visitantes, movimentar a rede hoteleira e fortalecer toda a cadeia econômica ligada ao turismo.
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