Fim da escala 6×1 pode cortar até 41 mil vagas em Santa Catarina, aponta FIESC

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirmou que a medida pode comprometer a competitividade da indústria catarinense

Eduardo Fogaça

Publicado em: 26 de fevereiro de 2026

7 min.
Fim da escala 6x1 pode cortar até 41 mil vagas em Santa Catarina, aponta FIESC. Foto: Divulgação/Agência Brasil

Fim da escala 6x1 pode cortar até 41 mil vagas em Santa Catarina, aponta FIESC. Foto: Divulgação/Agência Brasil

Os debates sobre o fim da escala 6×1 ganharam força no primeiro semestre de 2026 e mobilizam o Congresso Nacional, entidades empresariais e representantes do governo federal. A proposta prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Enquanto o governo defende ganhos de qualidade de vida e produtividade, federações catarinenses alertam para possíveis impactos no mercado de trabalho do estado.

Levantamentos realizados pela Fecomércio SC e pela FIESC apontam que a mudança pode resultar na perda de dezenas de milhares de postos formais em Santa Catarina nos próximos anos.

Fecomércio SC projeta perda de 27 mil empregos

De acordo com estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC), o setor terciário — que engloba comércio e prestação de serviços — poderá perder pouco mais de 27 mil empregos formais no estado.

A projeção detalha:

  • 13,6 mil vagas a menos no comércio;
  • 13,7 mil postos de trabalho a menos no setor de serviços, incluindo turismo.

Segundo a entidade, o principal fator para a redução seria o aumento do custo da hora trabalhada. Com a diminuição da carga semanal de 44 para 40 horas sem redução de salários, o valor da hora trabalhada subiria:

  • 9,4% no comércio;
  • 6,9% no setor de serviços.

O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, afirma que os pequenos negócios tendem a ser os mais afetados. “Muitos negócios, infelizmente, não terão como absorver mais esse aumento de custos”, declarou.

Setores mais impactados, segundo a Fecomércio

Entre os subsetores que podem sofrer maior impacto estão:

  • Supermercados;
  • Lojas de materiais de construção;
  • Farmácias;
  • Transporte rodoviário de cargas.

A federação disponibilizou em seu site uma ferramenta que permite estimar o aumento de custos conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), com dados técnicos sobre cada segmento.

FIESC estima perda de 41 mil vagas em dois anos

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) também analisou os efeitos da proposta. O estudo da entidade aponta que até 41,4 mil vagas podem ser extintas no estado nos próximos dois anos com a redução de quatro horas semanais na jornada.

Somente na indústria, a estimativa é de fechamento de 19,1 mil postos de trabalho, com aumento médio de 9,7% nos custos do trabalho.

Os setores de alimentos e madeira seriam os mais impactados, segundo o levantamento.

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, afirmou que a medida pode comprometer a competitividade da indústria catarinense. “A perda de competitividade da indústria de SC nos mercados internacionais e a redução no nível de atividade econômica vão impactar especialmente os setores intensivos em mão de obra e que são mais sensíveis a preços tanto no exterior como no Brasil”, disse.

Governo defende ganhos de produtividade e qualidade de vida

O governo federal trata o fim da escala 6×1 como prioridade. Em janeiro, durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que o tema avança no Congresso.

Segundo ele, a redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição salarial representa uma questão de dignidade para os trabalhadores.

“Hoje, o máximo é 44 horas semanais e queremos diminuir para 40, sem redução de salário. Esta é a proposta para todos os setores, por uma questão de dignidade”, declarou.

Boulos argumenta que a mudança não implica queda de produtividade, citando exemplos internacionais. Ele mencionou a Islândia, que reduziu a jornada para 35 horas em 2023 e registrou crescimento econômico de 5%. Nos Estados Unidos, segundo o ministro, houve redução média de 35 minutos diários de trabalho, com aumento de 2% na produtividade.

No Brasil, o ministro citou estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de 2024, com 19 empresas participantes. Conforme o levantamento:

  • 72% das empresas registraram aumento de receita;
  • 44% tiveram melhora no cumprimento de prazos.

Debate segue no Congresso

A proposta ainda está em discussão no Congresso Nacional e não há definição sobre prazos de votação. O tema envolve impactos econômicos, sociais e trabalhistas, com posicionamentos divergentes entre setor produtivo e governo federal.

Enquanto entidades empresariais alertam para riscos de desemprego e aumento de custos, o governo sustenta que a medida pode elevar a produtividade, melhorar a qualidade de vida e estimular a economia no médio prazo.

O avanço da proposta deve continuar no centro do debate político e econômico nos próximos meses, com reflexos diretos para trabalhadores e empresas catarinenses.


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