Perícia descarta “prego na testa” na morte do cão Orelha

Laudo da Polícia Científica não confirma agressão com prego na morte do cão comunitário na Praia Brava.

Redação

Publicado em: 27 de fevereiro de 2026

4 min.
Perícia descarta “prego na testa” na morte do cão Orelha - Foto: Reprodução

Perícia descarta “prego na testa” na morte do cão Orelha - Foto: Reprodução

A perícia realizada após a exumação do corpo do cão comunitário Orelha, morto na Praia Brava, em Florianópolis, descartou a hipótese de que o animal tenha sido assassinado com um “prego na testa”, versão que circulou nas redes sociais nas semanas seguintes ao caso. O procedimento foi feito pela Polícia Científica em 11 de fevereiro, a pedido do Ministério Público.

De acordo com o laudo, não foram identificadas fraturas ou lesões na ossada que indiquem, de forma objetiva, ação humana. Os peritos, no entanto, destacam que a ausência de fraturas não significa necessariamente ausência de agressão.

A exumação ocorreu cerca de um mês após a morte. Quando analisado, o corpo já estava em fase de esqueletização, sem tecidos moles, o que limitou as possibilidades técnicas de exame e impediu a determinação conclusiva da causa da morte.

O relatório aponta que todos os ossos foram examinados de forma minuciosa e não apresentavam fraturas. A perícia também afastou de maneira categórica a versão de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal.

Ainda assim, o documento ressalta que traumas cranioencefálicos podem ocorrer sem provocar fraturas ósseas. Segundo a literatura especializada citada no laudo, a maioria dos traumas cranianos em animais não deixa marcas visíveis no esqueleto, mas pode ser fatal.

A ossada de Orelha permanecerá armazenada na Polícia Científica, à disposição para eventuais desdobramentos da investigação.

O caso

Conhecido também como Preto, Orelha vivia há quase dez anos na Praia Brava, sendo cuidado por moradores, pescadores e comerciantes da região. O cão foi encontrado com ferimentos profundos em diferentes partes do corpo e, devido à gravidade das lesões, precisou ser sacrificado.

Em 16 de janeiro, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que adolescentes teriam agredido o animal com pauladas e que o caso seria levado à Justiça. Dias depois, a Polícia Civil identificou quatro adolescentes suspeitos de envolvimento. Segundo a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, há indícios de autoria por parte do grupo.

A morte do cão mobilizou a comunidade. Em 17 de janeiro, mais de 100 moradores participaram de uma manifestação na Praia Brava, pedindo justiça pelo caso.


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