Crise no Arroz: Queda nas Vendas e Conflitos Internacionais Elevam Pressão sobre Produtores

Setor enfrenta margens negativas, aumento nos custos de insumos importados

José Demathé

Publicado em: 3 de março de 2026

4 min.

Crise no Arroz: Queda nas Vendas e Conflitos Internacionais Elevam Pressão sobre Produtores Foto: Aires Mariga/Epagri

O mercado de arroz no Brasil atravessa um período de forte instabilidade, marcado por um recuo nas unidades vendidas no varejo e uma pressão crescente sobre a cadeia produtiva. A queda nas vendas da mercearia básica acende um alerta vermelho para os produtores, que já lidam com margens de lucro praticamente inexistentes entre o custo de produção e o valor final de comercialização. Em entrevista a Rádio Cidade em Dia 89.1 FM do grupo SCTODODIA de comunicação, o presidente do SindArroz Walmir Rampinelli deu mais detalhes de como o conflito no oriente médio está afetando diretamente na produção do arroz catarinense.

O “Efeito Analgésico” do Governo

Recentemente, o anúncio de um investimento de aproximadamente R$ 73 milhões via PEP (Prêmio para Escoamento de Produto) e PEPRO (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) pela Conab trouxe um alívio momentâneo. A medida gerou um efeito psicológico no mercado, interrompendo a trajetória de queda nos preços e levando o agricultor a reter o produto na expectativa de melhores condições. No entanto, lideranças do setor classificam a ação como “paliativa” — um remédio que baixa a febre momentaneamente, mas não cura a doença estrutural da baixa rentabilidade.

Impactos da Geopolítica e Logística

A situação é agravada pelo cenário internacional. Conflitos no Oriente Médio, especificamente envolvendo o Irã, trazem preocupações diretas ao campo brasileiro:

  • Fertilizantes: O Irã é um importante fornecedor de ureia para o Brasil. A instabilidade na região ameaça encarecer o insumo, elevando drasticamente o custo de produção.
  • Combustíveis e Fretes: A alta do petróleo impacta o preço do óleo diesel e aumenta os custos do seguro e do frete marítimo, encarecendo toda a logística de transporte.

Colheita e Armazenagem

Enquanto o Rio Grande do Sul inicia sua colheita, Santa Catarina já avançou para cerca de 70% da área colhida. O cenário é de abundância e qualidade, mas esbarra na falta de espaço para armazenagem. Sem locais para estocar o grão e com os financiamentos agrícolas vencendo entre maio e junho, o produtor se vê forçado a uma encruzilhada: vender a preços baixos para honrar dívidas ou arriscar a retenção do produto.

O Futuro da Cadeia

A principal preocupação das entidades setoriais é a ruptura da cadeia. Sem um planejamento de longo prazo que envolva o Governo Federal e foque em exportação e valorização do produto, o risco de desabastecimento futuro torna-se real, uma vez que muitos produtores podem migrar para outras culturas mais rentáveis. Novas audiências em Brasília estão sendo articuladas para buscar soluções que vão além dos subsídios temporários e garantam a sobrevivência da produção nacional.



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