Conflito entre Irã, Israel e EUA entra em semana decisiva, avalia especialista

A entrevista foi concedida nesta quarta-feira ao programa Hora da Cidade, com Ronaldo Sant’Anna

Eduardo Fogaça

Publicado em: 4 de março de 2026

5 min.
Conflito entre Irã, Israel e EUA entra em semana decisiva, avalia especialista. Foto: Divulgação

Conflito entre Irã, Israel e EUA entra em semana decisiva, avalia especialista. Foto: Divulgação

A intensificação do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos nos últimos dias coloca esta semana como crucial para o desfecho da crise no Oriente Médio. A avaliação é da professora universitária e doutoranda em Direito Público e Desenvolvimento Socioeconômico, Dra. Valéria Zanette, que analisou o cenário geopolítico e as possíveis consequências internacionais.

A entrevista foi concedida nesta quarta-feira ao programa Hora da Cidade, com Ronaldo Sant’Anna. Segundo a especialista, embora o Oriente Médio tenha histórico recorrente de instabilidade, o diferencial do momento atual é o alinhamento direto dos Estados Unidos ao lado de Israel nas ações militares. “Quando a gente fala do Oriente Médio, já parte do pressuposto de que é uma região muito conflituosa. A maior diferença agora foi essa aliança dos Estados Unidos com Israel no ataque”, afirmou.

Confira a entrevista na íntegra:

Para Zanette, os próximos dias serão determinantes. Ela avalia que, caso o Irã consiga resistir por uma semana, os Estados Unidos poderão enfrentar consequências superiores às inicialmente previstas. “Se o Irã aguentar uma semana, os Estados Unidos vão enfrentar grandes problemas. Inicialmente, se pensava em uma tomada rápida, com o assassinato do líder supremo e outras lideranças, e não foi o que aconteceu”, pontuou.

A especialista destacou que os impactos políticos são distintos para Israel e para o presidente norte-americano Donald Trump. Segundo ela, enquanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pode se fortalecer internamente em ano eleitoral, Trump tende a sofrer desgaste caso o conflito se prolongue. “O estadunidense é contra esses conflitos internacionais. Uma das pautas de campanha do Trump era justamente não intervir. Além disso, os EUA vivem uma crise econômica que afeta o dia a dia da população. As consequências internas para ele não serão benéficas”, avaliou.

Zanette também abordou a possibilidade de uma escalada global. Para ela, uma Terceira Guerra Mundial é improvável justamente pelo risco existencial que representaria. A professora ressaltou o papel histórico da Organização das Nações Unidas (ONU) como mediadora de conflitos desde o pós-Segunda Guerra Mundial, defendendo a importância do Direito Internacional para a manutenção da estabilidade global.

Segundo a especialista, o enfraquecimento da participação dos Estados Unidos em organismos internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos e a Organização Mundial do Comércio, contribui para a desestabilização das normas multilaterais. “Quando se começa a sair de tratados e organizações, isso desestabiliza o Direito Internacional. Os Estados passam a se sentir mais à vontade para invasões e tomadas de territórios”, concluiu.


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