Autismo: MPSC pressiona Prefeitura de Florianópolis por transporte

Órgão quer que carteira estadual do autismo seja aceita sem exigir novos laudos médicos para acesso ao transporte público

Redação

Publicado em: 7 de março de 2026

4 min.
Autismo MPSC pressiona Prefeitura de Florianópolis por transporte. - Imagem gerada por IA

Autismo MPSC pressiona Prefeitura de Florianópolis por transporte. - Imagem gerada por IA

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recomendou que a Prefeitura de Florianópolis simplifique o acesso de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ao transporte público da capital. A orientação é que o município passe a reconhecer a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) como documento suficiente para garantir o direito à Carteira Especial de Transporte Público, sem exigir novos laudos médicos.

A recomendação foi encaminhada à Prefeitura e à Secretaria Municipal de Infraestrutura após o MPSC identificar que famílias estavam enfrentando dificuldades para obter o benefício. Em alguns casos, servidores exigiam documentos adicionais ou laudos atualizados, mesmo quando a CIPTEA já comprovava oficialmente a condição.

O que muda com a recomendação

De acordo com o Ministério Público, a mudança pretende eliminar burocracias e facilitar o acesso ao transporte coletivo para pessoas com autismo.

Entre as orientações do órgão estão:

  • Reconhecer formalmente a CIPTEA como documento suficiente para comprovar a deficiência permanente;
  • Orientar servidores e empresas do transporte coletivo a aceitar o documento sem exigir novos laudos médicos;
  • Implementar as mudanças no procedimento no prazo de até 60 dias.

Caso a recomendação não seja cumprida, o Ministério Público pode adotar medidas judiciais, incluindo a possibilidade de uma ação civil pública.

Direito já previsto em lei

Segundo o promotor de Justiça Fabrício José Cavalcanti, da 30ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pela área da cidadania, a exigência de novos laudos cria obstáculos desnecessários para as famílias.

A legislação federal que instituiu a CIPTEA estabelece que o documento deve facilitar o acesso a direitos e garantir prioridade no atendimento em serviços públicos e privados.

Impacto direto na rotina das famílias

Para muitas famílias de pessoas com autismo, o acesso ao transporte público gratuito ou com facilidades representa mais do que economia. A medida garante mais autonomia, inclusão e dignidade no dia a dia, principalmente para crianças que precisam se deslocar com frequência para terapias, consultas e atividades escolares.

A recomendação do MPSC busca justamente evitar processos burocráticos repetitivos que acabam dificultando o acesso a um direito já reconhecido.


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