Uma pesquisa científica realizada na Espanha revelou um comportamento curioso entre chimpanzés: os primatas demonstram forte interesse por cristais de quartzo. O estudo, publicado na revista científica Frontiers in Psychology, sugere que o fascínio humano por pedras brilhantes pode ter raízes evolutivas profundas.
O experimento foi conduzido no Centro de Resgate de Primatas Rainfer, próximo a Madri, onde pesquisadores entregaram cristais de quartzo para chimpanzés com o objetivo de observar suas reações. Os animais examinaram os objetos com atenção, segurando, girando e analisando as superfícies transparentes e brilhantes.
Interesse vai além da curiosidade
De acordo com os cientistas, o comportamento observado foi além de uma simples curiosidade inicial. Em vários casos, os chimpanzés se recusaram a devolver os cristais após o término do experimento.
Um dos primatas, chamado Yvan, de 50 anos, manteve o cristal em mãos enquanto se alimentava e escalava o recinto. Em outro viveiro, uma chimpanzé chamada Sandy também pegou um cristal e o levou para o dormitório do grupo, mantendo o objeto por vários dias.
Os pesquisadores precisaram negociar a devolução das pedras oferecendo recompensas aos animais, como banana e iogurte, indicando que os cristais haviam adquirido algum valor para eles.
Experimento comparou cristal e pedra comum
O estudo foi dividido em dois testes. No primeiro, apelidado de “O monolito”, em referência ao filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, os cientistas colocaram dois objetos em pedestais dentro do viveiro: um cristal de quartzo transparente e uma pedra comum do mesmo tamanho.
Inicialmente, ambos chamaram a atenção dos chimpanzés. No entanto, pouco tempo depois, os animais passaram a ignorar a pedra comum e concentraram sua atenção no quartzo.
Chimpanzés identificaram cristais rapidamente
Na segunda etapa do estudo, os pesquisadores espalharam várias pedrinhas misturadas a pequenos cristais de quartzo para observar se os chimpanzés conseguiriam identificar os minerais brilhantes.
O resultado surpreendeu os cientistas. Os animais localizaram os cristais em poucos segundos e passaram a analisá-los sob a luz do sol, observando de perto as superfícies transparentes.
Em um dos registros, Sandy chegou a esconder algumas pedrinhas na boca — comportamento incomum entre chimpanzés.
Fascínio pode ter raízes evolutivas
Segundo o líder do estudo, o cristalógrafo espanhol Juan Manuel García-Ruiz, a atração pelos cristais pode estar relacionada às características únicas desses minerais na natureza.
Diferentemente da maioria das rochas, os cristais apresentam superfícies transparentes, linhas retas e múltiplas faces planas, o que os torna visualmente distintos em ambientes naturais dominados por formas orgânicas e irregulares.
Registros arqueológicos indicam que hominídeos já coletavam cristais há cerca de 780 mil anos, mesmo sem utilizá-los como ferramentas ou objetos decorativos.
Para García-Ruiz, a descoberta sugere que a sensibilidade por objetos brilhantes pode ter surgido muito antes do desenvolvimento da cultura humana.
Cientistas pedem cautela nas conclusões
Apesar dos resultados curiosos, alguns especialistas defendem cautela na interpretação dos dados. O arqueólogo Michael Haslam afirmou ao jornal The New York Times que, embora o fascínio dos chimpanzés pelos cristais seja evidente, ainda não é possível afirmar com precisão quais características despertam esse interesse.
Segundo ele, compreender a motivação por trás desse comportamento ainda exige novas pesquisas.
Mesmo assim, o estudo abre uma nova perspectiva para entender um traço aparentemente universal da humanidade: o fascínio por objetos brilhantes que atravessa culturas, religiões e civilizações há milênios.
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