Há algum tempo não víamos tantos escândalos de corrupção ao mesmo tempo e envolvendo tantos figurões da política. O caso do Banco Master e do INSS possuem tantas nuances e tantos tentáculos, que às vezes fica até difícil para acompanharmos e elucidarmos detalhadamente os seus pontos.
Os crimes envolvendo o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, nos mostram que estamos num modelo de cleptocracia pujante, onde não importa se o agente político é de esquerda ou de direita, se é do legislativo, do executivo ou do judiciário, se possui cargo eletivo ou não. E é nesse ponto que devemos retirar as nossas paixões e focar nos fatos.
Depois do cancelamento da Lava-Jato, momento ímpar na história do país, o combate à corrupção ficou em segundo plano e a sensação de impunidade voltou a pairar sobre quem possui poder em Brasília. Assim, criou-se novamente um ambiente favorável a esquemas e desvio de recursos, onde quem paga no final é sempre o elo mais fraco, ou seja, os pagadores de impostos.
O responsável disso tudo é obvio, e se chama Supremo Tribunal Federal. A última instância do nosso sistema judiciário, onde se espera honestidade, discrição, razão e ponderação, virou um balcão de negócios e privilégios, onde ministros arrotam boçalidade e hipocrisia, fazendo conluios claros com empresários, banqueiros e políticos.
Num país minimamente sério, pelo menos 3 ministros já deveriam ter sofrido impeachment: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. E nesses casos, pode-se escolher qual o tipo de crime para a cassação dos cargos, desde abuso de autoridade, falta de decoro, parcialidade nas decisões e corrupção.
O Senado Federal, que mais uma vez se encontra inerte a qualquer tipo de reação, precisa de uma nova oxigenação para 2027. Dois terços dos senadores serão renovados e espera-se que saiam da comodidade e coloquem um freio no judiciário brasileiro. Caso contrário, essa sensação de impunidade permanecerá e o nosso sistema republicano de divisão dos três poderes estará todo submetido a somente o judiciário. E contra o Supremo Tribunal Federal, não há mais contra quem recorrer.