HPV silencioso: o vírus que atinge 80% das pessoas e pode causar câncer

Durante o Março Lilás, especialistas alertam que falta de informação ainda impede prevenção e diagnóstico precoce do câncer de colo do útero no Brasil

Redação

Publicado em: 18 de março de 2026

6 min.
HPV silencioso o vírus que atinge 80% das pessoas e pode causar câncer. - Foto: Divulgação

HPV silencioso o vírus que atinge 80% das pessoas e pode causar câncer. - Foto: Divulgação

Apesar de ser uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns do mundo, o HPV (papilomavírus humano) ainda é cercado por desinformação entre mulheres brasileiras. O alerta ganha força durante o Março Lilás, campanha dedicada à conscientização e prevenção do câncer de colo do útero.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença é o terceiro tipo de tumor mais frequente entre mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos estimados por ano. Mais de 95% desses diagnósticos estão relacionados à infecção persistente pelo HPV.

Quando identificado precocemente, o câncer de colo do útero apresenta altas chances de cura, o que torna a prevenção e o rastreamento fundamentais.

Falta de sintomas dificulta diagnóstico

Um dos principais desafios no combate ao HPV é que, na maioria das vezes, o vírus não apresenta sintomas visíveis.

De acordo com a Dra. Mariane Nadai, médica parceira da DKT South America, muitas mulheres acabam descobrindo a infecção apenas em estágios mais avançados.

“O HPV, na maioria das vezes, não apresenta sintomas visíveis. Por isso, muitas mulheres acreditam que estão saudáveis e deixam de realizar exames preventivos como o papanicolau, que é essencial para detectar alterações antes que elas evoluam para um câncer”, explica a especialista.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o vírus em algum momento da vida.

Embora muitas infecções sejam eliminadas naturalmente pelo organismo, alguns tipos do vírus podem provocar lesões persistentes que evoluem para câncer, caso não sejam acompanhadas.

Principais formas de prevenção

Especialistas destacam três estratégias essenciais para reduzir o risco de infecção e complicações causadas pelo HPV:

  • Vacinação contra o HPV
    Disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes, a vacina é considerada uma das formas mais eficazes de prevenir os tipos de vírus mais associados ao câncer.
  • Uso do preservativo
    Embora não ofereça proteção total contra o HPV, o preservativo reduz significativamente o risco de transmissão e também protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis.
  • Exames ginecológicos regulares
    O exame de Papanicolau é fundamental para detectar alterações nas células do colo do útero antes que elas evoluam para um câncer.

Especialistas ressaltam que mesmo mulheres vacinadas devem manter acompanhamento médico, já que a vacina não cobre todos os tipos do vírus.

Combate ao tabu ainda é desafio

Além da prevenção médica, especialistas apontam que o tabu em torno da sexualidade feminina ainda dificulta o acesso à informação e aos cuidados de saúde.

“Muitas mulheres sentem vergonha de procurar atendimento ou informações por associar o HPV a julgamentos morais. Precisamos tratar o tema como uma questão de saúde pública, não de comportamento”, afirma a médica.

Informação pode salvar vidas

A campanha Março Lilás reforça que o câncer de colo do útero é altamente prevenível quando há acesso à informação, vacinação e exames periódicos.

Ampliar o diálogo sobre o HPV, segundo especialistas, é fundamental para reduzir os índices da doença e garantir que mais mulheres tenham autonomia sobre a própria saúde.


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