Copom corta Selic para 14,75% e inicia ciclo de queda dos juros

Primeira redução desde 2024 ocorre em meio a incertezas externas e pressão sobre a inflação

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 18 de março de 2026

5 min.
Copom reduz Selic para 14,75% ao ano e inicia ciclo de cortes, com cautela diante de tensões no cenário internacional

Copom reduz Selic para 14,75% ao ano e inicia ciclo de cortes, com cautela diante de tensões no cenário internacional. - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (18) a taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão marca o início de um novo ciclo de queda após mais de um ano sem cortes.

A medida já era esperada por analistas do mercado financeiro e ocorre em um ambiente de maior incerteza global, especialmente por conta das tensões no Oriente Médio, que têm impacto direto sobre os preços de commodities como o petróleo.

Decisão busca equilíbrio entre inflação e crescimento

Em comunicado, o Banco Central indicou que a redução está alinhada ao objetivo de controlar a inflação sem comprometer a atividade econômica.

A autoridade monetária destacou que a política de juros segue voltada à convergência da inflação para a meta estabelecida, ao mesmo tempo em que tenta reduzir oscilações econômicas e favorecer o mercado de trabalho.

A Selic é o principal instrumento utilizado para conter a alta de preços. Juros mais elevados tendem a frear o consumo e o crédito, enquanto cortes estimulam a economia.

Cenário externo impõe cautela

Apesar do corte, o Copom evitou indicar se novas reduções ocorrerão nas próximas reuniões. O motivo é o aumento das incertezas no cenário internacional.

Os conflitos no Oriente Médio elevaram o preço do petróleo no mercado global, o que pode pressionar combustíveis e outros custos no Brasil. Esse movimento tende a impactar a inflação nos próximos meses.

O Banco Central avalia que os efeitos dessas tensões podem atingir a economia brasileira tanto de forma direta quanto indireta, especialmente por meio da cadeia global de suprimentos e dos preços de commodities.

Entenda como a Selic é definida

A taxa básica de juros é ajustada com base no sistema de metas de inflação. Atualmente, o objetivo é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Na prática:

  • Inflação em alta: tendência de manutenção ou aumento dos juros;
  • Inflação controlada: possibilidade de redução da taxa.

As decisões do Copom também consideram projeções futuras, já que os efeitos da Selic na economia levam meses para se concretizar.

Comitê teve composição incompleta

A reunião desta quarta-feira ocorreu com duas cadeiras vagas na diretoria do Banco Central, após saídas recentes. Até o momento, novos nomes ainda não foram indicados para os cargos.

Próximos passos dependem do cenário

O futuro da taxa de juros no Brasil dependerá da evolução de fatores internos e externos. Entre os principais pontos de atenção estão:

  • O avanço ou não dos conflitos internacionais;
  • O comportamento dos preços do petróleo;
  • As expectativas para a inflação nos próximos anos.

Diante desse quadro, o Banco Central deve manter uma postura cautelosa nas próximas decisões.


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