A qualidade ambiental das praias da América do Sul ainda é pouco conhecida e carece de indicadores específicos para orientar políticas públicas. É o que aponta uma pesquisa desenvolvida pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Laguna, que investiga os impactos ambientais no litoral e propõe novas formas de monitoramento.
O estudo é coordenado pelo professor Eduardo Gentil, do curso de Ciências Biológicas da Udesc Laguna, e integra um projeto de cooperação internacional voltado à análise de regiões costeiras com características semelhantes na América Latina.
Falta de dados dificulta gestão costeira
Segundo o pesquisador, um dos principais desafios é a ausência de informações sistematizadas sobre a qualidade ambiental das praias sul-americanas. Isso dificulta o planejamento e a adoção de medidas eficazes para preservar esses ambientes.
“Ainda sabemos pouco sobre a dinâmica e a qualidade das nossas praias. É como montar um quebra-cabeça com várias peças faltando”, explica Gentil.
Indicadores vão além da balneabilidade
Atualmente, os relatórios oficiais no Brasil focam principalmente na balneabilidade da água. No entanto, a pesquisa da Udesc propõe uma análise mais ampla, considerando diferentes fatores ambientais, como:
- Erosão costeira
- Dinâmica das ondas
- Presença de resíduos sólidos
- Alterações no nível do mar
- Impactos de eventos climáticos extremos
A ideia é construir um sistema de indicadores mais completo, capaz de refletir a realidade das praias da região.
Lixo marinho atinge até áreas isoladas
Entre os resultados já identificados, está a presença de lixo marinho em praias catarinenses, inclusive em locais com pouca urbanização, como regiões de Laguna.
Os pesquisadores também constataram a ingestão de plástico por peixes, o que pode comprometer a saúde dos animais. O material ocupa espaço no sistema digestivo, reduzindo a alimentação adequada e podendo levar à morte.
Impactos podem chegar à população
Embora ainda existam incertezas, estudos científicos já indicam possíveis riscos à saúde humana associados à contaminação por plástico na cadeia alimentar.
De acordo com o professor, esse é um campo que ainda precisa de mais investigação, especialmente no contexto latino-americano.
Furacões e eventos extremos entram na análise
Como parte do projeto, os pesquisadores também desenvolveram ferramentas para medir os impactos de eventos climáticos extremos, como furacões, em regiões costeiras.
Um dos resultados foi a criação de um índice que combina variáveis ambientais — como ondas, marés e precipitação — para identificar áreas mais vulneráveis e auxiliar na tomada de decisões.
Obras costeiras exigem planejamento
A pesquisa também chama atenção para intervenções humanas no litoral. Estruturas construídas para conter a erosão podem gerar efeitos colaterais, como o deslocamento do problema para áreas vizinhas.
Por isso, os pesquisadores defendem soluções que considerem a dinâmica natural das praias e reduzam impactos ambientais.
Realidade de SC reforça alerta
No Brasil, a erosão costeira já afeta grande parte do litoral. Em Santa Catarina, diversos municípios enfrentam esse tipo de problema, o que torna ainda mais urgente o desenvolvimento de estudos e políticas específicas.
Cooperação fortalece soluções regionais
O projeto reúne pesquisadores de diferentes países da América do Sul e busca desenvolver indicadores adaptados às características locais, como extensas áreas arenosas, sistemas lagunares e forte influência sedimentar.
Para Gentil, esse tipo de cooperação é essencial para avançar no conhecimento e propor soluções mais eficazes para a gestão costeira.
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