A popularização de suplementos como vitaminas, creatina e whey protein tem transformado a forma como muitas pessoas encaram a saúde. O que antes era indicado de forma pontual por médicos e nutricionistas agora passou a integrar a rotina diária de milhões — muitas vezes sem orientação profissional.
Dados recentes mostram o tamanho desse mercado. No Brasil, um levantamento com 2.735 pessoas aponta que 37,4% gastaram mais de R$ 500 apenas no primeiro semestre de 2025 com esses produtos. Em nichos como o fisiculturismo, o consumo chega a 100% dos praticantes, sendo comum o uso de cinco ou mais suplementos por dia.
Nos Estados Unidos, o cenário é ainda mais avançado — e preocupante. Há relatos de pessoas que consomem dezenas de produtos diariamente, levantando questionamentos sobre os limites entre benefício e excesso.
O que está por trás da “era dos suplementos”
Dois fatores ajudam a explicar o crescimento acelerado desse mercado:
- Maior preocupação com a saúde, intensificada após a pandemia
- Expansão da indústria, impulsionada principalmente pelas redes sociais
Plataformas como TikTok e Instagram se tornaram vitrines para rotinas chamadas de stacks — combinações de suplementos consumidos ao longo do dia com objetivos específicos, como energia, foco, desempenho físico ou sono.
Esse comportamento virou tendência. A hashtag #supplementstack já soma milhares de publicações, muitas vezes misturando conteúdo pessoal com publicidade.
Quando o consumo vira excesso
O principal debate atual não é sobre a existência dos suplementos, mas sobre o uso indiscriminado.
Há casos extremos que chamam atenção:
- Influenciadores que afirmam consumir mais de 100 suplementos por dia
- Pessoas comuns relatando uso de 15 a 70 produtos diariamente
- Rotinas que incluem cápsulas, pós, gomas e até injeções
Especialistas alertam que, nesses casos, os suplementos deixam de ser complemento e passam a ocupar o lugar do essencial.
“É um novo vício que as pessoas desenvolveram”, afirmou uma nutricionista ao jornal Washington Post, ao relatar pacientes que não perceberam melhora mesmo com consumo elevado.
Suplementos substituem hábitos saudáveis?
A resposta, segundo especialistas, é direta: não.
A base da saúde continua sendo:
- Alimentação equilibrada
- Prática regular de exercícios
- Sono de qualidade
- Acompanhamento profissional, quando necessário
Suplementos podem ser úteis em casos específicos, como deficiência nutricional ou necessidades esportivas, mas não substituem esses pilares.
Falta de controle acende alerta
Outro ponto de preocupação está na regulamentação. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos suplementos não precisam de aprovação prévia da agência reguladora (FDA) para serem vendidos.
Isso significa que produtos podem chegar ao mercado sem comprovação rigorosa de eficácia ou segurança.
Mesmo assim, a indústria segue em expansão. O setor global pode atingir quase US$ 480 bilhões até 2036, enquanto o mercado americano já movimenta cerca de US$ 70 bilhões por ano.
Vale a pena usar suplementos?
O uso pode ser válido — mas com critério.
Antes de incluir qualquer suplemento na rotina, é recomendado:
- Buscar orientação de um nutricionista ou médico
- Avaliar se há real necessidade
- Evitar seguir recomendações de influenciadores sem base científica
- Priorizar hábitos básicos de saúde
O principal risco não está no suplemento em si, mas no uso excessivo e sem orientação.
Fique atento
O crescimento do consumo mostra uma mudança cultural: a busca por uma saúde “otimizada”. No entanto, especialistas reforçam que não existe atalho seguro quando o assunto é bem-estar.
Mais do que quantidade de produtos, o equilíbrio continua sendo o fator decisivo.
FIQUE BEM INFORMADO:
Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.