Vereador de Imbituba é indiciado por compra de votos

De acordo com o relatório da Polícia Civil, o esquema funcionava a partir do desvio de cargas de saibro

Eduardo Fogaça

Publicado em: 2 de abril de 2026

5 min.
Vereador de Imbituba é indiciado por compra de votos. Foto: Divulgação

Vereador de Imbituba é indiciado por compra de votos. Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que apura um esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Imbituba, no Sul do estado. O vereador Ronaldo Gonçalves Júnior (MDB), conhecido como Ronaldinho, foi indiciado junto com outras cinco pessoas por crimes como desvio de recursos públicos, fraude em contratos e organização criminosa.

Segundo a investigação, o grupo teria utilizado materiais adquiridos com verba pública para beneficiar eleitores em troca de apoio político durante a campanha eleitoral.

Esquema envolvia uso de saibro da prefeitura

De acordo com o relatório da Polícia Civil, o esquema funcionava a partir do desvio de cargas de saibro — material usado na manutenção de vias públicas — para propriedades privadas.

Esses materiais eram destinados à pavimentação de acessos de moradores, que, em contrapartida, apoiariam o então candidato nas urnas. A logística envolveria empresários e agentes ligados à administração pública.

A apuração aponta que:

  • O material era comprado com recursos da prefeitura
  • Não havia controle formal sobre a destinação das cargas
  • As entregas eram direcionadas a redutos eleitorais estratégicos
  • A distribuição teria sido intensificada no período final da campanha

Ronaldinho foi eleito como o segundo vereador mais votado da cidade, com 1.156 votos.

Áudios e notas fiscais indicam fraude

A investigação também identificou indícios de fraude documental. Empresas envolvidas no esquema teriam emitido notas fiscais de produtos que não eram entregues ao poder público.

Segundo a Polícia Civil:

  • Os materiais eram desviados diretamente para moradores
  • Notas fiscais simulavam entregas inexistentes
  • Áudios e mensagens indicam pressão para ampliar a distribuição

Os investigadores apontam que o saibro passou a ser utilizado como uma espécie de “moeda de troca” para obtenção de votos.

Defesa contesta investigação e levanta suspeitas

A defesa do vereador criticou a condução do inquérito e afirmou que houve irregularidades no processo. Em nota, os advogados alegam que o relatório foi divulgado nas redes sociais antes de ser oficialmente anexado aos autos, o que, segundo eles, pode configurar violação de sigilo.

Os defensores também levantaram suspeitas sobre a imparcialidade da investigação, citando possível conflito de interesses envolvendo um servidor da delegacia.

Outro ponto destacado pela defesa é a alegação de que testemunhas teriam sido aliciadas com valores de até R$ 40 mil para prestar depoimentos contra os investigados.

Além disso, afirmam que o vereador demorou mais de um ano para ser chamado a depor, sendo necessária intervenção judicial para conclusão do inquérito.

Caso segue para o Ministério Público

Com o encerramento da investigação policial, o caso agora será analisado pelo Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça.

Se condenado, o vereador pode sofrer sanções que incluem:

  • Perda do mandato
  • Inelegibilidade
  • Penalidades criminais

A defesa afirma estar confiante e sustenta que as acusações serão contestadas no Judiciário.


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