O presidente do Observatório Social de Criciúma, Moacir Dagostim, esteve reunido na última semana com vereadores do município para discutir gastos do Legislativo e temas considerados sensíveis pela entidade. O encontro ocorre após um início de ano marcado por atritos, motivados pela divulgação de um relatório que apontou aumento nas despesas da câmara no último ano.
Segundo Dagostim, o objetivo do observatório é promover transparência, e não atuar como órgão fiscalizador. Ainda assim, os dados apresentados geraram desconforto entre parlamentares, especialmente em relação ao crescimento dos gastos. De acordo com ele, a câmara registrou aumento superior a R$ 4 milhões em comparação ao ano anterior.
“O gasto do ano passado foi mais de R$ 4 milhões a mais do que o ano anterior. A gente mostra os dados, não tem mentira”, afirmou.
Aumento de vereadores é questionado
Outro ponto debatido foi a proposta de ampliação no número de cadeiras no Legislativo, que pode passar de 17 para 21 vereadores — possibilidade prevista em lei. Para o observatório, no entanto, não há justificativa concreta para a mudança.
Dagostim comparou Criciúma com cidades catarinenses maiores, que possuem menos parlamentares mesmo com arrecadações significativamente superiores.
- Joinville, com cerca de R$ 5 bilhões de receita, tem 19 vereadores
- Blumenau, com aproximadamente R$ 3 bilhões, possui 15 cadeiras
- Jaraguá do Sul, com arrecadação maior que Criciúma, conta com 11 vereadores
“Criciúma não comporta 21 vereadores como vocês querem”, argumentou.
Gastos com viagens geram reação
O relatório do observatório também destacou despesas com viagens realizadas por vereadores, o que gerou reações individuais durante a reunião. Segundo Dagostim, alguns parlamentares interpretaram a divulgação como ataque pessoal.
Ele rebateu as críticas, afirmando que todas as informações são públicas e disponíveis no Portal da Transparência.
“Não estamos jogando o nome de ninguém na lama. Os dados são oficiais. Nosso papel é mostrar”, disse.
Licitação milionária preocupa entidade
Além dos gastos já realizados, o observatório demonstrou preocupação com uma licitação lançada pela Câmara para contratação de serviços de publicidade. O valor previsto é de R$ 2,5 milhões.
De acordo com Dagostim, o montante chama atenção pelo volume e pela finalidade.
- Valor previsto: R$ 2,5 milhões
- Período estimado: um ano
- Objeto: serviços de propaganda e publicidade
“Para quê a Câmara precisa de R$ 2,5 milhões em um ano?”, questionou.
Debate deve continuar
Apesar das divergências, o encontro foi considerado importante para o diálogo entre as instituições. O Observatório reforça que seguirá acompanhando os gastos públicos e divulgando relatórios periódicos, enquanto a Câmara deve manter a discussão sobre suas despesas e estrutura.
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