Estudo revela prejuízos provocados por dormir pouco ou demais

Pesquisa acompanhou 13 mil voluntários, servidores públicos de instituições das regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país

Redação

Publicado em: 28 de maio de 2026

5 min.
Estudo revela prejuízos provocados por dormir pouco ou demais. - Foto: Divulgação

Estudo revela prejuízos provocados por dormir pouco ou demais. - Foto: Divulgação

A dificuldade para dormir pode impactar diretamente o funcionamento do cérebro e aumentar os riscos de declínio cognitivo ao longo da vida. É o que revela uma pesquisa desenvolvida pela doutora em Saúde Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Tamiris Amanda Rezende.

O estudo analisou a relação entre distúrbios do sono e desempenho cognitivo em adultos e idosos participantes do ELSA Brasil, um dos maiores estudos sobre saúde da população brasileira.

Os resultados mostraram que tanto dormir pouco quanto dormir demais pode prejudicar habilidades cognitivas importantes, como memória, fluência verbal e funcionamento executivo.

Melhor desempenho cognitivo foi observado em quem dorme 7 horas

Segundo a pesquisa, o melhor desempenho cognitivo foi identificado em pessoas que dormiam cerca de sete horas por noite.

Participantes que dormiam menos de seis horas ou mais de oito horas apresentaram desempenho inferior em testes cognitivos.

“Este padrão foi consistente tanto para adultos de meia-idade (55-59 anos) quanto para adultos mais velhos (60-79 anos)”, explicou a pesquisadora Tamiris Amanda Rezende.

O estudo apontou ainda que não houve diferença significativa entre homens e mulheres nos resultados observados.

Insônia também afeta memória e raciocínio

Além da duração do sono, a pesquisa investigou sintomas de insônia, como dificuldade para iniciar o sono, manter o sono contínuo durante a noite ou acordar antes do horário desejado.

Os participantes que relataram esses sintomas tiveram pior desempenho cognitivo, independentemente da quantidade de horas dormidas ou da sensação de cansaço durante o dia.

De acordo com a pesquisadora, os distúrbios do sono devem ser tratados como fatores modificáveis para prevenir problemas cognitivos futuros.

“Intervenções que promovam a qualidade do sono, especialmente a partir da meia-idade, podem melhorar a saúde cognitiva e a qualidade de vida dos indivíduos”, destacou.

Estudo reforça importância da qualidade do sono

Atualmente integrante da equipe de supervisores do ELSA Brasil, Tamiris afirma que o tema ganha cada vez mais relevância diante do envelhecimento da população.

“É um assunto de grande relevância não apenas para a comunidade científica, mas também para a população em geral, que convive diariamente com questões relacionadas ao envelhecimento”, afirmou.

O que é o ELSA Brasil

O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA Brasil) é uma pesquisa multicêntrica criada em 2008 para investigar fatores relacionados à saúde da população brasileira.

Participam do projeto cerca de 13 mil voluntários, servidores públicos de instituições das regiões Sul, Sudeste e Nordeste do País.

Além da UFMG, integram o estudo a Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O estudo produz informações utilizadas em diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em áreas como hipertensão, diabetes, doenças renais e saúde mental.



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