Operação Mensageiro: MPSC firma acordo e garante ressarcimento de R$ 8,1 milhões a Lages

Segundo o MPSC, os valores devolvidos representam um avanço concreto no combate à corrupção e na recuperação de recursos públicos

Eduardo Fogaça

Publicado em: 7 de abril de 2026

4 min.
Operação Mensageiro: MPSC firma acordo e garante ressarcimento de R$ 8,1 milhões a Lages. Foto: Divulgação/MPSC

Operação Mensageiro: MPSC firma acordo e garante ressarcimento de R$ 8,1 milhões a Lages. Foto: Divulgação/MPSC

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) firmou os primeiros acordos de não persecução cível (ANPC) e de leniência no âmbito da Operação Mensageiro. Com as medidas, o Município de Lages deverá ser ressarcido em R$ 8.105.435,39 por empresa e nove pessoas físicas investigadas no esquema.

Os acordos foram assinados nesta semana e ainda dependem de homologação do Conselho Superior do Ministério Público e do Poder Judiciário. Eles não incluem agentes públicos investigados, que passaram a ser alvo de ação por improbidade administrativa.

Ressarcimento e responsabilização

Segundo o MPSC, os valores devolvidos representam um avanço concreto no combate à corrupção e na recuperação de recursos públicos.

Em nota, promotores da força-tarefa destacaram que a devolução dos valores “representa a efetiva realização de direitos fundamentais da sociedade” e reforça a atuação integrada entre instituições.

Além do ressarcimento, o Ministério Público ingressou com ação de improbidade administrativa contra agentes públicos de Lages. Entre as penalidades previstas estão:

  • Perda de bens obtidos de forma ilícita
  • Perda da função pública
  • Suspensão dos direitos políticos por até 14 anos
  • Pagamento de multa civil
  • Proibição de contratar com o poder público

Também foi solicitado o pagamento de R$ 3.246.343,48 por danos morais coletivos, devido à gravidade das condutas investigadas.

Condenações criminais já ocorreram

Os acordos não impedem a responsabilização criminal dos envolvidos. Em 2025, três ex-agentes políticos foram condenados pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) por organização criminosa e corrupção passiva.

As penas chegaram a 24 anos de prisão. Outras seis pessoas ligadas ao núcleo empresarial também foram condenadas por corrupção ativa, com penas de até 12 anos e sete meses.

Entenda a Operação Mensageiro

Considerada a maior operação contra a corrupção em Santa Catarina, a Operação Mensageiro foi deflagrada em dezembro de 2022 pelo MPSC.

A investigação apura um esquema envolvendo:

  • Prefeitos e agentes públicos
  • Empresários do setor de coleta de lixo, água e iluminação pública
  • Pagamento de propina em contratos públicos

A operação já teve seis fases, incluindo prisões preventivas e mandados de busca e apreensão em diversas cidades.

As investigações tiveram origem em 2021, a partir da Operação Et Pater Filium, que revelou um esquema de corrupção no Planalto Norte catarinense.


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