Argentina aprova reforma que flexibiliza mineração em geleiras

A proposta gerou forte reação de ambientalistas, cientistas e parlamentares da oposição

Eduardo Fogaça

Publicado em: 9 de abril de 2026

5 min.
Argentina aprova reforma que flexibiliza mineração em geleiras. Foto: Divulgação/REUTERS

Argentina aprova reforma que flexibiliza mineração em geleiras. Foto: Divulgação/REUTERS

A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou nesta quinta-feira (9) uma reforma que altera regras para a mineração em regiões glaciais. A medida, apoiada pelo governo do presidente Javier Milei, recebeu 137 votos favoráveis, 111 contrários e 3 abstenções, e entra em vigor após publicação oficial.

O projeto permite que as províncias estabeleçam seus próprios critérios de proteção para geleiras e áreas periglaciais — regiões de grande altitude que funcionam como reservas naturais de água doce. A mudança representa uma flexibilização em relação à legislação vigente desde 2010, que proíbe atividades industriais nessas áreas e define padrões nacionais de preservação.

O que muda com a nova lei

Entre os principais pontos da reforma, estão:

  • Descentralização das regras ambientais, com maior autonomia para as províncias
  • Possibilidade de ampliação de projetos de mineração em áreas antes protegidas
  • Revisão de critérios de proteção de geleiras e zonas periglaciais

Segundo o governo e representantes do setor mineral, a nova legislação traz mais segurança jurídica para investimentos e pode posicionar o país como fornecedor estratégico de minerais como cobre e lítio, essenciais para a transição energética global.

Críticas e preocupações ambientais

A proposta gerou forte reação de ambientalistas, cientistas e parlamentares da oposição. Críticos apontam que a flexibilização pode comprometer a preservação de geleiras, que desempenham papel fundamental no abastecimento de água.

Especialistas também alertam para o risco de decisões fragmentadas entre províncias, sem critérios científicos unificados. Em fevereiro, a Universidade de Buenos Aires já havia manifestado preocupação com a proposta, defendendo a adoção de parâmetros técnicos nacionais.

Além disso, opositores denunciaram suposta limitação à participação popular no debate. Segundo parlamentares, apenas 0,3% dos mais de 100 mil inscritos puderam se manifestar em audiências públicas sobre o tema.

Interesses econômicos e debate político

Governadores de regiões mineradoras e empresas do setor defendem a reforma como essencial para impulsionar a economia. O governo Milei tem adotado medidas para atrair investimentos, incluindo incentivos fiscais e cambiais, o que já despertou o interesse de grandes companhias internacionais.

Por outro lado, cientistas e organizações ambientais afirmam que a mudança prioriza interesses econômicos em detrimento da proteção ambiental, especialmente em áreas sensíveis como a Cordilheira dos Andes e a Patagônia, onde estão localizadas cerca de 17 mil massas de gelo que ocupam mais de 8 mil km².

Durante o debate, representantes do setor destacaram a necessidade de equilíbrio. “Não se trata de escolher entre o meio ambiente e o desenvolvimento, mas de conciliar ambos”, afirmou Roberto Cacciola, presidente da Câmara de Mineração da Argentina.

O tema segue gerando debate no país, especialmente diante dos possíveis impactos ambientais e econômicos da nova legislação.


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