O Brasil está entre os países com maior contaminação por bitucas de cigarro no mundo, segundo um levantamento internacional publicado na revista científica Environmental Chemistry Letters. O estudo analisou dados de 130 pesquisas realizadas em 55 países entre 2013 e 2024, abrangendo ambientes urbanos e aquáticos. A Rádio Cidade em Dia 89.1 FM conversou com o epidemiologista e pesquisador do Instituto Nacional de Câncer, André Szklo sobre o assunto.
De acordo com os dados, enquanto a média global é de 0,24 bituca por metro quadrado, algumas praias brasileiras apresentam índices até 40 vezes superiores. Em determinados pontos do litoral, esse tipo de resíduo chega a representar mais de dois terços de todo o lixo marinho coletado.
A gravidade do cenário foi tema de entrevista na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, conduzida pelo jornalista Paulo Monteiro, com participação do epidemiologista e pesquisador do Instituto Nacional de Câncer (INCA), André Szklo, que integrou a equipe responsável pelo estudo.
Impacto ambiental vai além da sujeira
Os filtros de cigarro são considerados hoje o resíduo mais descartado no planeta, com cerca de 4,5 trilhões de unidades jogadas fora anualmente. Produzidos com acetato de celulose — um tipo de plástico —, eles podem permanecer no ambiente por décadas ou até séculos.
Quando entram em contato com a água, liberam microplásticos e mais de 7 mil substâncias químicas, incluindo nicotina, metais pesados e compostos cancerígenos. Segundo o estudo, uma única bituca pode contaminar mais de mil litros de água, afetando organismos aquáticos e toda a cadeia alimentar.
Áreas protegidas têm menor contaminação
A pesquisa também aponta que locais com proteção ambiental apresentam níveis significativamente menores de poluição. Em média, a contaminação é cinco vezes inferior nesses espaços, podendo chegar a quase dez vezes menos no Brasil.
Apesar disso, nem mesmo essas áreas estão totalmente livres do problema, o que reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes e fiscalização constante.
Papel da indústria e políticas públicas
Durante a entrevista, André Szklo destacou que a poluição por bitucas está diretamente ligada à indústria do tabaco e à percepção equivocada sobre os filtros.
Segundo ele, por décadas foi difundida a ideia de que esses materiais seriam biodegradáveis, o que contribuiu para o descarte inadequado. O pesquisador defende o fortalecimento das medidas de controle do tabagismo previstas na Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Principais pontos do estudo
- Brasil apresenta alguns dos ecossistemas mais contaminados por bitucas
- Praias brasileiras têm densidade até 40 vezes maior que a média global
- Filtros liberam microplásticos e milhares de substâncias tóxicas
- Uma bituca pode contaminar mais de mil litros de água
- Áreas protegidas registram níveis menores de poluição
O estudo é resultado da colaboração entre pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), INCA, Johns Hopkins University (EUA) e Universidad San Ignacio de Loyola (Peru).
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