Preço do leite dispara 12% e deve pesar no bolso

Queda na produção, alta nos custos e impacto do diesel pressionam cadeia e elevam inflação dos alimentos

Redação

Publicado em: 16 de abril de 2026

5 min.
Preço do leite dispara 12% e deve pesar no bolso. - Foto: Canva

Preço do leite dispara 12% e deve pesar no bolso. - Foto: Canva

O preço do leite voltou a subir com força no Brasil e já impacta diretamente a inflação dos alimentos. Dados do IPCA mostram que o leite longa vida ficou 11,7% mais caro em março, revertendo a queda registrada no início do ano. A tendência, segundo especialistas, é de continuidade da alta nos próximos meses.

O movimento é puxado principalmente pela redução da produção, aumento dos custos no campo e efeitos indiretos do cenário internacional, como o conflito no Oriente Médio, que pressiona combustíveis e transporte.

Leite e derivados já pressionam a inflação

O avanço dos preços não ficou restrito ao leite longa vida. Outros produtos derivados também registraram aumento em março:

  • Iogurte: +1,58%
  • Queijo: +1,95%
  • Leite em pó: +0,85%

O resultado contribuiu para elevar o grupo de alimentação dentro do IPCA, indicador oficial da inflação no país.

Menor oferta explica disparada

A principal razão para a alta está na queda da oferta de leite no mercado. Dados do Cepea, da USP, apontam que a captação recuou 3,6% entre janeiro e fevereiro na média nacional, com destaque para estados como Minas Gerais, Paraná e Goiás.

Esse cenário também é confirmado pelo Índice de Captação de Leite (ICAP-L), que registrou retração no mesmo período.

Com menos produto disponível, a indústria passou a pagar mais ao produtor. Em fevereiro, o valor subiu 5,43%, custo que foi repassado ao consumidor no mês seguinte.

Entenda por que a produção caiu

Dois fatores principais explicam a redução na produção:

  • Sazonalidade: o clima reduz a qualidade das pastagens e eleva o custo da alimentação animal
  • Cautela dos produtores: após quedas de preço em 2025, muitos reduziram investimentos

No ano passado, o setor enfrentou excesso de oferta. A produção atingiu cerca de 27 bilhões de litros, com crescimento de 7,2%, enquanto importações seguiram elevadas — gerando queda no preço pago ao produtor.

Custos seguem pressionando o setor

Apesar de uma leve melhora na relação de troca no início de 2026, os custos continuam elevados. O Custo Operacional Efetivo subiu em fevereiro, refletindo despesas com insumos e manutenção da atividade.

Além disso, o setor vive um impasse:

  • aumento da produtividade ao longo dos anos
  • saída de pequenos produtores
  • margens cada vez mais apertadas

Combustível deve encarecer ainda mais o leite

A expectativa é de novos aumentos já neste mês. O principal motivo é a alta dos combustíveis, impulsionada pelo cenário internacional.

Em março:

  • Diesel subiu 13,9%
  • Gasolina avançou 4,59%

Como o transporte representa parte relevante da cadeia, o frete mais caro tende a pressionar ainda mais os preços ao consumidor.

O que esperar daqui para frente

Com oferta limitada, custos elevados e pressão logística, o mercado aponta para continuidade da alta do leite no curto prazo. Ao mesmo tempo, consumidores estão mais sensíveis a reajustes, o que pode limitar o ritmo de crescimento dos preços.

O cenário indica um equilíbrio delicado entre produção, custos e consumo — com impacto direto no bolso do brasileiro.


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