PF aponta “provas concretas” e Justiça decreta nova prisão de MC Ryan SP e outros investigados

A investigação, de acordo com a decisão, está em um momento considerado “sensível e crítico”

Eduardo Fogaça

Publicado em: 24 de abril de 2026

6 min.
PF aponta “provas concretas” e Justiça decreta nova prisão de MC Ryan SP e outros investigados. Foto: Reprodução

PF aponta “provas concretas” e Justiça decreta nova prisão de MC Ryan SP e outros investigados. Foto: Reprodução

A Justiça Federal decretou a prisão preventiva de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, do criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, e de outros investigados em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. A decisão foi assinada pelo juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, poucas horas após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder habeas corpus a parte do grupo.

Segundo o magistrado, a medida se baseia em “provas concretas” reunidas pela Polícia Federal (PF), além da gravidade das condutas e do risco de continuidade das atividades ilícitas. A investigação, de acordo com a decisão, está em um momento considerado “sensível e crítico”.

Risco de continuidade e destruição de provas

Na decisão, o juiz destacou que a organização criminosa possui estrutura hierarquizada e alto poder financeiro, o que pode facilitar a continuidade dos crimes caso os investigados permaneçam em liberdade.

Outro ponto relevante é a apreensão de grande volume de dispositivos eletrônicos e dados digitais, que ainda estão em análise. Conforme o documento, há risco de que os suspeitos possam manipular provas ou ocultar ativos.

Também foi citado o risco de fuga e de dissipação de patrimônio, especialmente devido às conexões internacionais do grupo.

Quem teve prisão decretada

A decisão atinge dezenas de investigados. Entre os principais nomes:

  • Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP) – apontado como líder do esquema
  • Raphael Sousa Oliveira – criador da página Choquei
  • Tiago de Oliveira – gestor financeiro
  • Alexandre Paula de Sousa Santos – conhecido como “Belga”
  • Mauro Jube de Assunção – contador
  • Xizhangpeng Hao – ligado à empresa Golden Cat

Ao todo, mais de 30 pessoas tiveram prisão preventiva decretada. Três investigados tiveram a medida substituída por prisão domiciliar: Fernando de Sousa, Débora Vitória Paixão Ramos e Estefany Pereira da Silva.

Defesas contestam decisão

As defesas dos investigados criticaram a nova decisão judicial. Os advogados de MC Ryan SP afirmaram que o pedido de prisão preventiva é “extemporâneo” e questionaram por que a medida não foi adotada anteriormente.

Já a defesa de Raphael Sousa Oliveira informou que irá recorrer ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ao STJ e, se necessário, ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O advogado de MC Poze do Rodo também afirmou que o novo pedido da PF não apresenta fatos novos.

Entenda a Operação Narco Fluxo

A Operação Narco Fluxo investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em dois anos.

De acordo com a Polícia Federal:

  • O grupo utilizava artistas e influenciadores digitais para movimentar recursos ilícitos
  • Empresas do setor musical e de entretenimento eram usadas para misturar dinheiro legal e ilegal
  • Os valores tinham origem no tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas digitais

Segundo o delegado Marcelo Maceira, a escolha de pessoas públicas era estratégica, já que grandes movimentações financeiras passariam despercebidas por sistemas de controle.

Como funcionava o esquema

As investigações apontam que o grupo utilizava diferentes mecanismos para ocultar a origem do dinheiro:

  • Pagamentos simulados por publicidade
  • Uso de “laranjas” e empresas de fachada
  • Transferências fracionadas (técnica conhecida como “smurfing”)
  • Uso de criptomoedas, como USDT, para remessas internacionais

Os recursos eram convertidos em bens de alto valor, como imóveis, veículos de luxo e joias, além de serem utilizados para ostentação nas redes sociais.

A Polícia Federal afirma que parte do dinheiro tem origem no tráfico internacional de drogas, o que pode indicar ligação com facções criminosas.

Papel dos investigados

De acordo com a investigação:

  • MC Ryan SP é apontado como líder e principal beneficiário do esquema
  • MC Poze do Rodo aparece vinculado a estruturas financeiras ligadas às apostas e rifas
  • Raphael Sousa Oliveira teria atuado como operador de mídia, promovendo conteúdos e plataformas ligadas ao grupo

A reportagem segue tentando contato com a defesa dos demais investigados.


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