Estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará (UFC) revelou que a prática de pilates de baixa intensidade apresenta resultados semelhantes aos exercícios de alta intensidade no tratamento da dor lombar crônica.
A pesquisa foi publicada no periódico científico Journal of Physiotherapy, da Sociedade Australiana de Fisioterapia, e teve como principais autores os fisioterapeutas Anita Coelho, Janine Dourado e Pedro Lima, professor da UFC.
O estudo começou em 2019 e teve duração de cinco anos. A pesquisa contou com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação em Fisioterapia da universidade.
Pesquisa avaliou 168 pacientes
Os pesquisadores analisaram 168 adultos, entre 18 e 60 anos, diagnosticados com dor lombar crônica inespecífica há pelo menos três meses.
Os experimentos aconteceram no Laboratório de Pilates Clínico (Lapic), localizado no Campus do Porangabuçu, em Fortaleza.
Os participantes foram divididos em dois grupos:
- um realizou pilates clínico de alta intensidade;
- o outro participou de sessões de baixa intensidade.
As atividades ocorreram duas vezes por semana, durante seis semanas, com sessões de uma hora.
Os pacientes foram avaliados em quatro momentos:
- no início do estudo;
- após seis semanas;
- seis meses depois;
- um ano após a intervenção.
Durante o acompanhamento, os pesquisadores analisaram fatores como:
- intensidade da dor;
- incapacidade funcional;
- força muscular;
- função física;
- cinesiofobia, que é o medo de se movimentar devido à dor.
Menos efeitos colaterais
Segundo os resultados, tanto o pilates de alta quanto o de baixa intensidade apresentaram efeitos muito semelhantes no alívio da dor lombar e na melhora funcional dos pacientes.
No entanto, os exercícios de menor intensidade demonstraram vantagem por provocarem menos efeitos colaterais.
De acordo com o professor Pedro Lima, a descoberta pode facilitar o trabalho dos fisioterapeutas e melhorar a experiência dos pacientes.
“O principal achado do nosso estudo é que o pilates, seja praticado com alta ou baixa intensidade, é igualmente eficaz para aliviar a dor e melhorar a capacidade funcional em pessoas com dor lombar crônica. Isso facilita o manejo de vários pacientes ao mesmo tempo e resulta em menos efeitos colaterais para o paciente”, afirmou.
A pesquisa reforça a importância do pilates clínico como alternativa no tratamento de dores lombares, problema que afeta milhões de pessoas e está entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil.
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