Uma pesquisa coordenada por um professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi utilizada como fundamento em uma decisão da Justiça que suspendeu a construção de um emissário de esgoto no Rio Tramandaí, no Rio Grande do Sul. O estudo documenta a tradicional pesca com botos, prática reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial do Brasil.
A decisão, assinada pela juíza Patrícia Antunes Laydner, determinou que a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) não realize o lançamento de efluentes tratados no Rio Tramandaí. A magistrada considerou, entre os argumentos, a importância cultural e ambiental da pesca colaborativa entre pescadores artesanais e botos.
Coordenado pelo professor Caetano Kayuna Sordi Barbará Dias, da UFSC, o projeto elaborou o dossiê que levou ao reconhecimento da prática pelo Iphan. A tradição é mantida principalmente em Laguna, no Sul de Santa Catarina, e em Tramandaí e Imbé, no Litoral Norte gaúcho, onde pescadores e botos atuam em cooperação para a captura de tainhas.
Além do reconhecimento cultural, a pesca com botos também já foi documentada por pesquisas com drones, câmeras e equipamentos subaquáticos, reforçando a relevância científica e ambiental dessa interação única entre seres humanos e cetáceos.
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