Suposta negligência médica fez com que MPSC e CRM inspecionassem Unidade de Pronto Atendimento de Barra Velha

A ação foi após denúncia de negligência médica por familiares de menina que morreu de dengue na cidade

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
Sugerir conteúdo pelo WhatsApp

Após um suposto caso de negligência médica no Pronto Atendimento de Barra Velha, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) coordenou uma inspeção surpresa na unidade de saúde para verificar as condições clínicas e estruturais para o atendimento da população. 

A fiscalização do MPSC decorreu do Procedimento Administrativo instaurado para apurar possível gestão irregular, carência de estrutura adequada e negligência no atendimento proporcionado pelos profissionais médicos da unidade de saúde. 

A ação envolveu representantes do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) e segundo o MPSC, aconteceu com o intuito de evitar tragédias como a ocorrida no dia 31 de março, em que uma menina de apenas quatro anos de idade teria sido atendida em três ocasiões no local e liberada para retornar ao seu domicílio. Após a última consulta, ela faleceu devido a complicações associadas ao seu estado clínico.  

Segundo o promotor de Justiça Renato Maia de Faria, titular da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Barra Velha, "várias situações foram elencadas com o objetivo de buscar a melhoria no atendimento da saúde na cidade, com pleno atendimento das normas previstas nos conselhos Regional e Federal de Medicina, garantindo assim, ao cidadão, respeito aos seus direitos fundamentais."

Na inspeção foram relacionados pontos emergenciais a serem aperfeiçoados para a continuidade dos atendimentos do Pronto Atendimento. Entre eles estão a vinculação de um responsável técnico à unidade de saúde, a instalação ou a contratação de um laboratório para exames clínicos e a contratação de médicos para suprir a demanda do serviço. 

Em relação ao profissional que assumirá a responsabilidade técnica do Pronto Atendimento, o MPSC definiu o prazo de 48 horas (contatos a partir da quarta-feira, 10) para que o Município faça a devida indicação, sob pena do pedido de interdição da unidade de saúde. Os demais prazos ficaram acordados da seguinte forma: 10 dias para a instalação do laboratório de análises clínicas e 15 dias para a contratação dos médicos. 

Os apontamentos foram feitos pelo CRM-SC como exigências mínimas para o seguimento dos trabalhos e, ainda, elencadas a necessidade de uma sala de isolamento, a melhoria no nível de segurança dos programas para preenchimento de prontuários, além da necessidade da estruturação de comissões como a de Revisão de Prontuários, de Revisão de Óbito, de Controle de Infecção em Serviços de Saúde, exigência feita em outras vistorias e não cumpridas pela administração pública. 

"Precisamos não apenas resolver um problema específico e que vem sendo investigado, mas sim o problema de todos os cidadãos barravelhenses, para que isso não volte a ocorrer", completa o promotor. Após a inspeção ele se reuniu com o Prefeito de Barra Velha e apresentou os apontamentos necessários para a melhoria da gestão e da estrutura do Pronto Atendimento.  

 

Reportagem original: Joca Baggio

Fique bem informado

Receba no WhatsApp e na newsletter as principais notícias da sua região, alertas de serviço e os destaques de Santa Catarina, com a curadoria do SCTODODIA.

Player de rádio