Estudo da UFSC liga alimentação a marcador de inflamação

Pesquisa analisou 958 adultos e identificou relação entre dietas mais inflamatórias e níveis elevados de proteína C-reativa

Estudo da UFSC liga alimentação a marcador de inflamação - Imagem: Ilustrativa/Gerada por IA
Estudo da UFSC liga alimentação a marcador de inflamação - Imagem: Ilustrativa/Gerada por IA
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Uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) investigou a relação entre o potencial inflamatório da alimentação e marcadores de inflamação no organismo. O estudo foi desenvolvido pela doutoranda Karine Andrea Albiero Simiano, do Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGN), a partir de dados de 958 adultos de Viçosa, em Minas Gerais.

Os resultados apontaram que dietas com maior potencial inflamatório estiveram associadas a concentrações mais elevadas da proteína C-reativa ultrassensível (PCR-us), um dos marcadores utilizados na avaliação de processos inflamatórios.

A pesquisa utilizou o Índice Inflamatório da Dieta (DII®), que avalia o potencial inflamatório do conjunto da alimentação, e não de alimentos isoladamente. Quanto maior a pontuação, maior a tendência de a dieta apresentar características pró-inflamatórias.

Resultados chamam atenção para a complexidade da inflamação

Além da PCR-us, o estudo analisou seis outros marcadores inflamatórios: IL-1β, IL-6, IL-8, IL-10, IL-12p70 e TNF-α.

Para a IL-8, algumas análises apontaram uma associação inversa. Já para os demais marcadores, os resultados não foram consistentes.

Segundo a pesquisadora, isso ocorre porque a inflamação é um processo complexo e envolve diferentes mediadores e mecanismos. Por isso, um único marcador não é suficiente para representar todo o processo inflamatório.

A tese também avaliou diferentes formas de aplicação do DII e identificou falta de padronização em pesquisas que utilizam o índice.

Pesquisa não estabelece diagnóstico

Os pesquisadores ressaltam que o DII não é uma ferramenta estabelecida para diagnóstico clínico de inflamação e não deve, sozinho, determinar condutas para pacientes.

Uma revisão sistemática realizada na pesquisa reuniu 25 estudos observacionais, com mais de 149 mil participantes, e também encontrou associação entre maior potencial inflamatório da dieta e níveis elevados de PCR. A confiança nessa evidência, porém, foi considerada baixa devido às diferenças entre os trabalhos analisados.

O estudo com adultos de Viçosa foi publicado em maio de 2026 no periódico Nutrition Research. As demais etapas da pesquisa seguem em processo editorial.

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