Multa histórica de mais de R$ 1 bilhão é aplicada em rede varejista de SP

Irregularidades no pagamento de impostos, além de fraudes tributárias e corrupção ocasionaram a penalidade

Maiquel Machado

Publicado em: 11 de maio de 2026

5 min.
Multa histórica de mais de R$ 1 bilhão é aplicada em rede varejista de SP. - Foto: Divulgação

Multa histórica de mais de R$ 1 bilhão é aplicada em rede varejista de SP. - Foto: Divulgação

A maior multa já registrada no Brasil com base na Lei Anticorrupção foi aplicada à Fast Shop S/A, pelo Governo de São Paulo. A penalidade, fixada em R$ 1.040.278.141,00, foi definida pela Controladoria Geral do Estado de São Paulo (CGE-SP) após a conclusão de um Processo Administrativo de Responsabilização de Pessoa Jurídica.

Segundo o governo paulista, a rede varejista especializada em eletrônicos teria cometido atos lesivos como oferta de vantagem indevida a agente público, obtenção irregular de benefícios tributários e interferência em atividades de fiscalização da administração tributária estadual.

O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a punição busca servir de exemplo no combate à corrupção.

“Quem lesou o Estado não vai ficar impune, prova disso é a multa bilionária que estamos aplicando a uma das empresas fraudadoras”, declarou.

Operação Ícaro investigou fraudes tributárias

A investigação faz parte da Operação Ícaro, conduzida em parceria entre órgãos do Governo de São Paulo e o Ministério Público. A ação apura esquemas de corrupção e fraudes tributárias envolvendo auditores fiscais e empresas do setor privado.

De acordo com a CGE-SP, a Fast Shop contratou a empresa Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária Ltda., ligada ao ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, para atuar na recuperação de créditos tributários de ICMS.

As investigações apontaram que a empresa utilizava informações fiscais privilegiadas obtidas ilegalmente por meio de acesso irregular aos sistemas internos da Receita Estadual.

Créditos tributários irregulares superam R$ 1 bilhão

Segundo a apuração, a Fast Shop teria obtido créditos tributários indevidos de R$ 1,04 bilhão por meio de um esquema conhecido como “mineração de dados fiscais”. A prática consistia na prospecção e homologação irregular de créditos tributários utilizando informações sigilosas às quais a empresa não teria acesso legal.

O total de créditos analisados chegou a aproximadamente R$ 1,59 bilhão. Parte desse montante teria sido calculada com dados obtidos de forma ilícita, gerando prejuízo aos cofres públicos estaduais.

A CGE-SP destacou que a dosimetria da multa considerou critérios como:

  • gravidade das irregularidades;
  • extensão dos danos à administração pública;
  • vantagem indevida obtida;
  • impacto financeiro ao Estado;
  • capacidade econômica da empresa.

Governo cita impacto em serviços públicos

O governo paulista afirmou que os recursos obtidos irregularmente poderiam ser destinados à ampliação de serviços essenciais.

Segundo estimativas do Estado, o valor da fraude seria suficiente para:

  • construir 300 creches;
  • implantar seis hospitais regionais;
  • criar 216 centros de reabilitação da Rede Lucy Montoro;
  • adquirir mais de 5,2 mil viaturas para as polícias Civil e Militar.

Até o momento, as investigações resultaram na demissão de cinco servidores públicos, exoneração de um agente e abertura de 61 procedimentos administrativos.

Para o controlador-geral do Estado, Rodrigo Fontenelle, o caso representa um marco no fortalecimento das políticas de combate à corrupção em São Paulo.


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