Nesta terça-feira (16), a Petrobras divulgou a mudança da política de preços do petróleo e seus derivados, como gasolina e diesel, em relação ao dólar e ao mercado internacional.
A regra vigente desde 2016 determinava que o preço desses produtos no mercado interno acompanhasse as flutuações internacionais, sem intervenção governamental para assegurar preços mais baixos. A Petrobras anunciou o fim desse mecanismo automático.
A redução em R$ 0,44 por litro do preço médio do diesel para as distribuidoras, passará de R$ 3,46 para R$ 3,02. Já o preço médio da gasolina será reduzido em R$ 0,40 por litro, passando de R$ 3,18 para R$ 2,78 – valor pago pelas distribuidoras.
No método anteriormente utilizado, conhecido como Preço de Paridade de Importação (PPI), a Petrobras levava em conta o valor do petróleo no mercado internacional, bem como os custos logísticos, tais como frete de navios, taxas portuárias e o transporte por dutos internos.
Segundo a nota oficial da Petrobras, a nova "estratégia comercial" adota duas referências de mercado. O "custo alternativo do cliente" é considerado como o valor prioritário na precificação. Esse custo contempla as principais alternativas de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou de produtos substitutos. "Com a mudança, a Petrobras tem mais flexibilidade para praticar preços competitivos, se valendo de suas melhores condições de produção e logística e disputando mercado com outros atores que comercializam combustíveis no Brasil, como distribuidores e importadores", diz o comunicado.
Por outro lado, o "valor marginal", segundo a petroleira, é baseado no custo de oportunidade, levando em conta as diversas opções disponíveis para a empresa. Isso inclui produção, importação e exportação do produto em questão, bem como os petróleos utilizados no refino.
O comunicado da Petrobras, no entanto, não apresenta uma fórmula clara indicando qual será o peso de cada fator no novo cálculo.
Sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o economista Adriano Pires afirmou que o comunicado da Petrobras é confuso e "tumultua o mercado" ao dizer, por exemplo, que o preço de paridade "passa a ser uma referência".
Pires chegou a ser cotado para assumir o comando da Petrobras, em 2022, mas desistiu em meio a uma apuração sobre possível conflito de interesses – já que, como especialista na área, ele havia prestado consultoria a investidores privados.
"Esse tipo de anúncio que vem sendo feito está tumultuando o mercado. O dono de posto que compra gasolina, o distribuidor, ninguém está comprando nem vendendo. A própria Petrobras para de vender", avaliou.
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