Segundo Tarifaço dos EUA afetará empregos em SC, aponta Fiesc

Levantamento mostra que 518 produtos catarinenses perderão competitividade em relação ao primeiro tarifaço

Redação

Publicado em: 16 de julho de 2026

6 min.
Segundo Tarifaço dos EUA afetará empregos em SC, diz Fiesc. - Foto: Divulgação

Segundo Tarifaço dos EUA afetará empregos em SC, diz Fiesc. - Foto: Divulgação

A entrada em vigor do segundo pacote de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos importados, prevista para 22 de julho de 2026, mantém o setor industrial de Santa Catarina em estado de alerta. Estudo da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) indica que o novo regime tarifário deve provocar impactos semelhantes aos registrados durante o primeiro tarifaço, afetando a competitividade das exportações e o mercado de trabalho catarinense.

Segundo o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, a expectativa é de que os prejuízos econômicos se repitam.

“O impacto projetado para esta nova fase tarifária é similar aos danos que já experimentamos no primeiro tarifaço. A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo à economia do estado”, afirma.

Como ficam as novas tarifas

O estudo aponta que a tarifa nominal máxima aplicada pelos Estados Unidos cairá de 50%, registrada no primeiro tarifaço, para 37,5% no novo modelo.

Na prática, porém, a tarifa efetiva — indicador que mede o impacto real sobre a competitividade dos produtos catarinenses — passará de 47,8% para 35,9%.

Para o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, a redução aparente das alíquotas não representa uma melhora para a indústria catarinense.

“Esta aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos de SC no mercado americano segue prejudicada.”

Exportações para os Estados Unidos já sofreram queda

Os efeitos do primeiro tarifaço foram sentidos entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Nesse período, as exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos caíram 38,29%, passando de uma média mensal de US$ 141 milhões para US$ 87 milhões.

Após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou as tarifas anteriores, em fevereiro deste ano, houve uma recuperação parcial das vendas, favorecida pela adoção temporária de uma tarifa global de 10%.

Com a previsão de aplicação de uma sobretaxa adicional de 25%, baseada na Seção 301 da legislação norte-americana, a FIESC estima que a retração das exportações catarinenses para o mercado americano poderá se consolidar em cerca de 40%.

Competitividade varia entre os produtos

O levantamento mostra que 518 produtos catarinenses perderão competitividade em relação ao primeiro tarifaço, enquanto 608 itens terão alguma melhora na comparação entre os dois períodos.

Apesar disso, a entidade alerta que a vantagem dos concorrentes internacionais continuará maior.

“O que nos preocupa é que, a despeito disto, há perda de oportunidades para as indústrias de SC, já que as tarifas efetivas dos concorrentes de outros países enfrentarão alíquotas mais baixas que as brasileiras”, destaca Bittencourt.

Um dos exemplos citados é o complexo madeireiro. Enquanto a madeira perfilada ganha competitividade em relação ao primeiro tarifaço, portas e molduras de madeira devem perder ainda mais espaço no mercado norte-americano.

Santa Catarina deve sentir impacto maior que a média nacional

Segundo a Fiesc, Santa Catarina será um dos estados mais afetados pelas novas tarifas devido ao perfil de sua pauta exportadora, concentrada em produtos industrializados.

Enquanto a participação das exportações brasileiras atingidas pelas tarifas deve cair de aproximadamente 33% para 25%, em Santa Catarina esse percentual permanece em cerca de 56%, evidenciando maior exposição da indústria catarinense às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Para a Federação, o cenário exigirá maior capacidade de adaptação das empresas exportadoras diante da perda de competitividade no mercado internacional.


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