Alcolumbre mantém quebra de sigilo de Lulinha na CPMI

Presidente do Senado rejeita pedido da base governista para anular votação que autorizou acesso a dados bancários e fiscais do filho do presidente

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 3 de março de 2026

5 min.
Alcolumbre rejeita anulação da quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS após sessão marcada por tumulto

Alcolumbre rejeita anulação da quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPMI do INSS após sessão marcada por tumulto. - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu nesta terça-feira (3) manter a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, aprovada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A base governista havia solicitado a anulação da votação, alegando erro na contagem dos votos contrários.

A decisão de Alcolumbre encerra, ao menos no âmbito do Legislativo, a disputa sobre o resultado da sessão realizada no último dia 26 de fevereiro, que foi marcada por tumulto entre parlamentares.

O que motivou o pedido de anulação

A quebra de sigilo foi aprovada em votação simbólica — modelo em que não há registro nominal no painel. Nesse formato, os parlamentares favoráveis permanecem sentados, enquanto os contrários devem se manifestar levantando a mão ou ficando em pé.

Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), sete parlamentares se posicionaram contra o requerimento. Integrantes da base do governo contestaram o número e afirmaram que 14 congressistas teriam se manifestado contrariamente.

Com base em imagens da sessão e no registro de presença — que apontava 31 parlamentares na reunião — os governistas defenderam que não houve maioria suficiente para aprovar a medida.

Entendimento da presidência do Congresso

Ao analisar o recurso, Alcolumbre afirmou que, mesmo considerando 14 votos contrários, o número não seria suficiente para barrar a deliberação.

Com 31 parlamentares presentes, a maioria necessária seria de 16 votos. Assim, segundo ele, não houve irregularidade capaz de invalidar a decisão.

O senador também argumentou que, ainda que tenha havido equívoco na contagem inicial, o resultado final não seria alterado, já que os votos contrários não alcançariam a maioria exigida.

Sessão teve empurra-empurra

A aprovação da quebra de sigilo gerou forte reação de parlamentares governistas, que se aproximaram da mesa diretora para protestar contra o anúncio do resultado. A movimentação terminou em empurra-empurra entre deputados.

Entre os citados no episódio estão os deputados Rogério Correa (PT-MG), Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ), além do relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL). A confusão foi contida por outros parlamentares.

Governo não recorrerá

Após a decisão de Alcolumbre, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), informou que a base não pretende recorrer.

Ele justificou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça já havia autorizado a quebra dos sigilos, o que, na avaliação do governo, reduz o espaço para contestação jurídica.

Próximos passos da CPMI

Com a manutenção da decisão, a CPMI do INSS poderá avançar na análise dos dados bancários e fiscais autorizados. A comissão investiga possíveis irregularidades relacionadas ao instituto e segue com o calendário de depoimentos.

Na mesma sessão em que aprovou a quebra de sigilo, o colegiado também autorizou a convocação do ex-assessor de Alcolumbre, Gustavo Gaspar, e do ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima.

A disputa em torno da votação evidencia o ambiente de tensão política que marca os trabalhos da comissão, que deve continuar no centro do debate nas próximas semanas.


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