No aniversário dos atos de 8 de janeiro, Julia Zanatta critica decisões do STF

As declarações foram feitas durante entrevista exclusiva ao Notícias da Cidade, da Rádio Cidade FM 103.7

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No aniversário de mais um ano dos atos de 8 de janeiro, a deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) voltou a criticar as prisões relacionadas ao episódio e classificou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) como arbitrárias. As declarações foram feitas durante entrevista exclusiva ao Notícias da Cidade, da Rádio Cidade FM 103.7, na qual a parlamentar relatou visitas a pessoas presas, citou casos do Sul de Santa Catarina e afirmou que houve violação de direitos e ausência de individualização das condutas.

Críticas às prisões e relatos de visitas a presídios

Durante a entrevista, Julia Zanatta afirmou que, segundo sua avaliação, o episódio de 8 de janeiro tem sido utilizado para justificar medidas que considera excessivas por parte do Judiciário. A deputada relatou visitas realizadas a presídios em Brasília, como a Colmeia e a Papuda, onde conversou com mulheres presas em decorrência dos atos.

Ela também mencionou casos específicos da região Sul de Santa Catarina, citando uma moradora de Tubarão e outra de Criciúma. De acordo com a parlamentar, uma das presas teria direito à progressão de regime ou à prisão domiciliar, mas o pedido foi negado por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Zanatta argumenta que não houve individualização das condutas e que, na sua avaliação, não existem provas suficientes contra algumas das pessoas detidas.

Questionamentos sobre atuação do STF e do Senado

A deputada ampliou as críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, afirmando que há extrapolação das atribuições do Judiciário. Segundo ela, decisões recentes do STF demonstrariam interferência em outras esferas, como a autonomia médica e institucional.

Julia Zanatta também criticou a atuação do Senado Federal, que, segundo a Constituição, é responsável por analisar pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Para a parlamentar, a falta de reação do Senado contribui para o que ela classificou como enfraquecimento das liberdades e das instituições.

Impactos no direito à manifestação

Outro ponto abordado na entrevista foi o impacto das decisões judiciais sobre o direito à manifestação. A deputada afirmou que, após os eventos de 8 de janeiro, atos públicos e manifestações políticas teriam diminuído em razão do medo de represálias, como bloqueio de contas bancárias, uso de tornozeleiras eletrônicas e prisões.

Ela comparou o cenário atual com episódios anteriores da política brasileira, citando manifestações ocorridas durante a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando, segundo ela, não haveria o mesmo tipo de restrição ou temor por parte dos manifestantes.

As declarações da deputada ocorrem em meio ao debate nacional sobre os desdobramentos jurídicos e políticos dos atos de 8 de janeiro, tema que segue gerando posicionamentos divergentes entre representantes dos poderes e da sociedade civil.


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