Perícia descarta “prego na testa” na morte do cão Orelha

Laudo da Polícia Científica não confirma agressão com prego na morte do cão comunitário na Praia Brava.

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
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A perícia realizada após a exumação do corpo do cão comunitário Orelha, morto na Praia Brava, em Florianópolis, descartou a hipótese de que o animal tenha sido assassinado com um “prego na testa”, versão que circulou nas redes sociais nas semanas seguintes ao caso. O procedimento foi feito pela Polícia Científica em 11 de fevereiro, a pedido do Ministério Público.

De acordo com o laudo, não foram identificadas fraturas ou lesões na ossada que indiquem, de forma objetiva, ação humana. Os peritos, no entanto, destacam que a ausência de fraturas não significa necessariamente ausência de agressão.

A exumação ocorreu cerca de um mês após a morte. Quando analisado, o corpo já estava em fase de esqueletização, sem tecidos moles, o que limitou as possibilidades técnicas de exame e impediu a determinação conclusiva da causa da morte.

O relatório aponta que todos os ossos foram examinados de forma minuciosa e não apresentavam fraturas. A perícia também afastou de maneira categórica a versão de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal.

Ainda assim, o documento ressalta que traumas cranioencefálicos podem ocorrer sem provocar fraturas ósseas. Segundo a literatura especializada citada no laudo, a maioria dos traumas cranianos em animais não deixa marcas visíveis no esqueleto, mas pode ser fatal.

A ossada de Orelha permanecerá armazenada na Polícia Científica, à disposição para eventuais desdobramentos da investigação.

O caso

Conhecido também como Preto, Orelha vivia há quase dez anos na Praia Brava, sendo cuidado por moradores, pescadores e comerciantes da região. O cão foi encontrado com ferimentos profundos em diferentes partes do corpo e, devido à gravidade das lesões, precisou ser sacrificado.

Em 16 de janeiro, o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que adolescentes teriam agredido o animal com pauladas e que o caso seria levado à Justiça. Dias depois, a Polícia Civil identificou quatro adolescentes suspeitos de envolvimento. Segundo a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, há indícios de autoria por parte do grupo.

A morte do cão mobilizou a comunidade. Em 17 de janeiro, mais de 100 moradores participaram de uma manifestação na Praia Brava, pedindo justiça pelo caso.


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