Rede supermercadista testa escala 5×2 e mantém 44 horas semanais

Projeto piloto começa em março, em Belo Horizonte, e pode ser ampliado para outras unidades ao longo de 2026

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
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Uma das maiores redes de supermercados de Minas Gerais decidiu antecipar um debate que ganhou força no Congresso Nacional. O Grupo Supernosso anunciou que vai implementar a escala 5×2 — cinco dias de trabalho com dois de descanso — em três unidades de Belo Horizonte, a partir de março. A empresa afirma que a carga horária semanal seguirá em 44 horas, conforme prevê a legislação trabalhista.

A iniciativa será aplicada inicialmente como projeto piloto nas áreas operacionais. Caso os resultados sejam considerados positivos, a expectativa é expandir o modelo gradualmente para outras lojas até 2026.

O que muda na rotina dos funcionários

A principal alteração está na distribuição das horas trabalhadas ao longo da semana. No modelo atual 6×1, os colaboradores cumprem cerca de 7h20 por dia. Com a adoção da escala 5×2, a jornada diária passa para 8h48, mantendo o total de 44 horas semanais.

Segundo a empresa, a mudança busca reduzir o desgaste físico e emocional dos trabalhadores, especialmente ao diminuir o número de deslocamentos semanais até o local de trabalho.

Na prática, o trabalhador ganha um dia adicional de descanso, mas compensa esse período com jornadas diárias mais longas.

Movimento ocorre em meio à discussão no Senado

A decisão da rede mineira acontece em um momento de discussão nacional sobre o futuro da jornada 6×1. Em dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim desse modelo.

A proposta ainda precisa:

  • Ser votada no plenário do Senado;
  • Passar pela Câmara dos Deputados;
  • Receber sanção presidencial, caso aprovada nas duas Casas.

O governo federal sinaliza apoio à mudança. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, declarou que eventuais alterações na escala não devem resultar em redução salarial.

Setor avalia impactos econômicos

A possível substituição da escala 6×1 divide opiniões no setor produtivo. Estudo divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) aponta possíveis consequências econômicas, entre elas:

  • Elevação de custos operacionais;
  • Impactos na produtividade;
  • Risco de fechamento de postos formais de trabalho.

Diante desse cenário, empresas do varejo têm adotado estratégias próprias para se adaptar às discussões, avaliando alternativas que conciliem legislação, competitividade e qualidade de vida dos colaboradores.

O debate sobre o trabalho aos domingos

Além da discussão sobre o número de dias trabalhados, o funcionamento aos domingos também tem gerado posicionamentos distintos no setor supermercadista.

O fundador dos Supermercados BH, Pedro Lourenço de Oliveira, já declarou ser contrário ao trabalho dominical, embora mantenha as lojas abertas. Segundo ele, levantamento interno apontou que 55% dos funcionários preferem trabalhar nesse dia, principalmente por conta da jornada reduzida — normalmente até as 14h — e da possibilidade de folga extra durante a semana.

Tendência pode influenciar o mercado

Embora ainda restrita a três unidades, a adoção da escala 5×2 pelo Grupo Supernosso pode servir de referência para outras empresas do varejo alimentar. O teste será acompanhado internamente antes de qualquer ampliação definitiva.

O tema segue em debate no Congresso e no setor empresarial, enquanto trabalhadores e empregadores acompanham os possíveis desdobramentos de uma mudança que pode alterar a dinâmica do mercado de trabalho no país.


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