Sobrevivente de violência doméstica encontra apoio em Criciúma

Após 13 anos de agressões, mulher relata como conseguiu romper o ciclo de violência e encontrou proteção na Rede Catarina da Polícia Militar

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
Sugerir conteúdo pelo WhatsApp

Uma história marcada por anos de violência doméstica ganhou um novo capítulo em Criciúma. Após viver mais de uma década de agressões físicas e psicológicas, a moradora Carla Rosana encontrou apoio e proteção por meio da Rede Catarina de Proteção à Mulher, programa da Polícia Militar de Santa Catarina que acompanha vítimas com medidas protetivas.

O relato foi compartilhado durante reportagem da jornalista Manuela Oliveira, da Rádio Cidade em Dia 89.1, que ouviu a vítima e policiais do 9º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo atendimento na região.

Ciclo de violência começou no início do relacionamento

Segundo Carla Rosana, o ciclo de agressões começou poucos meses após o início do relacionamento. O primeiro episódio de violência foi seguido por pedidos de desculpas, uma dinâmica comum em casos de violência doméstica.

Com o passar do tempo, as agressões se tornaram mais frequentes e graves. Durante a gravidez da filha, Carla relatou que sofreu ataques físicos que quase provocaram um aborto. Ao longo de 13 anos, ela afirma ter sido vítima de violência física, psicológica e sexual.

Durante esse período, o medo de represálias e o julgamento social fizeram com que ela demorasse a buscar ajuda.

“Eu vivia sempre com o rosto machucado, cheio de maquiagem para esconder. Muitas pessoas sabiam, mas também existe o julgamento de que a mulher apanha porque quer”, relatou.

Episódio de violência quase terminou em tragédia

Um dos episódios mais graves ocorreu quando o agressor a espancou dentro de casa, causando fraturas nas costelas, nariz quebrado e perda de dentes. Após ser trancada dentro da residência, ela conseguiu pedir ajuda a uma vizinha, que acionou familiares e a socorreu.

Mesmo após o registro da ocorrência, o agressor voltou a atacá-la semanas depois, em frente ao local de trabalho. O caso deixou marcas físicas e emocionais profundas, levando a vítima a enfrentar um longo processo de recuperação psicológica.

Recomeço em Santa Catarina

Em 2019, Carla decidiu se mudar para Santa Catarina em busca de recomeçar a vida. O período de tranquilidade, porém, foi interrompido em 2023, quando o ex-companheiro voltou a persegui-la em Criciúma.

Diante da situação, ela procurou ajuda e solicitou medidas protetivas.

Foi nesse momento que a Rede Catarina de Proteção à Mulher passou a acompanhar o caso.

A importância da Rede Catarina

A Rede Catarina é um programa da Polícia Militar de Santa Catarina voltado ao acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas de urgência. O trabalho inclui visitas periódicas, orientação e monitoramento do cumprimento das decisões judiciais.

Segundo o sargento Peterson, do 9º Batalhão da Polícia Militar, o objetivo é oferecer suporte direto às vítimas.

“O que fizemos foi receber a medida protetiva e verificar que ela precisava de um apoio mais próximo. Então nos deslocamos até a casa dela para acompanhar a situação e prestar auxílio”, explicou.

A cabo Martina, que também atua no programa, destaca que o acompanhamento faz diferença na proteção das vítimas.

“É um programa que realmente funciona. A partir da denúncia e da medida protetiva, fazemos fiscalização e oferecemos acolhimento. O retorno das mulheres mostra que o atendimento tem resultado”, afirmou.

Denúncia pode salvar vidas

Hoje, Carla afirma que conseguiu reconstruir sua vida, mas reforça que romper o ciclo da violência exige coragem e apoio.

Para ela, o principal recado às mulheres que vivem situações semelhantes é buscar ajuda e denunciar.

“Não tenha vergonha de falar. Conte para vizinhos, amigos, familiares. Denuncie. Aquela frase de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher não pode mais existir”, disse.

Em casos de violência doméstica, a orientação é procurar ajuda imediatamente. Situações de emergência podem ser denunciadas pelo telefone 190, enquanto o canal 180 também recebe denúncias e orienta vítimas em todo o país.

Por Manuela Flores de Oliveira


FIQUE BEM INFORMADO: 📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!

Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.

👉 Clique aqui e acompanhe.

Fique bem informado

Receba no WhatsApp e na newsletter as principais notícias da sua região, alertas de serviço e os destaques de Santa Catarina, com a curadoria do SCTODODIA.

Player de rádio