Troca do União Operária por creche é alvo de polêmica em Criciúma

Presidente do clube rebate fala de Salvaro: “não está abandonado”

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
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Durante a inauguração da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Santa Bárbara, no último sábado (2), o prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, provocou a comunidade a fazer um abaixo-assinado para desapropriar o terreno da União Operária e construir, ali, uma creche. A fala do chefe do executivo criciumense gerou polêmica, visto que o clube, localizado próximo à igreja do bairro, não está abandonado – ao contrário do que ele disse. 

“Uma obra abandonada”, disse Salvaro durante a inauguração. “Traga um abaixo assinado que a gente desapropria aquele Centro, que hoje serve apenas para receber drogados, pedintes na rua que acabam importunando familiares e a vida daquelas pessoas de bem. Tragam um abaixo-assinado que está feito o desafio, transformamos aquilo em uma grande creche para a  comunidade”, completou. 

A presidente do Clube União Operária, Iara Odila, se manifestou afirmando que o espaço não está abandonado – mas, sim, em processo de revitalização. Ela reconhece que o local esteve fechado por bastante tempo, mas que desde 2016 foram iniciadas as obras e retomadas as atividades. 

“Acontecem muitas atividades dentro daquele espaço e por isso estamos conseguindo fazer a reforma interna. Juntamos dinheiro arrecadados das mensalidades dos sócios e dos eventos que fazemos dentro do clube para mexer na parte interna. Não conseguimos mexer na estrutura externa, ainda, porque demanda um dinheiro que não temos no momento. Mas o desejo é transformar [o clube], e temos um projeto de como queremos que fique”, destacou a presidente do União Operária. 

 

Segundo Iara, são desenvolvidas no clube atividades de lazer, dança, lançamentos de livros e até mesmo ensaios de um grupo de maracatu, que se reúne a cada 15 dias no local. Recentemente, o espaço também foi utilizado para um encontro de educadores negros e uma oficina de teatro. 

A presidente do União Operária ressalta que o clube foi fundado em 1937. Na opinião de Iara, a fala do prefeito Salvaro seria um “desrespeito” à comunidade negra que fundou e conduziu a Associação ao longo das décadas.

“A fala do prefeito desrespeita a história de figuras negras de Criciúma, como o seu Antônio, Aldo, Valentim, Sebastião, dona Onélia, Piedade, Santa, Maura, Clara, Maria Lima e seu Vilson Lalau. Ele [Salvaro] está desconsiderando a história desses homens e mulheres que formam a história desse clube. Hoje a diretoria propõe manter o clube aberto porque é a história de Criciúma, um patrimônio da sociedade que deve ser respeitado. A fala do prefeito desconsidera toda a história da população negra”, destacou. 

Fonte: Rádio Cidade em Dia

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