UFSC cria métodos para conter avanço do coral-sol no litoral de Santa Catarina

Pesquisa coordenada por professores da UFSC desenvolveu técnicas de monitoramento e controle do coral-sol, espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha da Reserva do Arvoredo, no litoral catarinense

Imagem ilustrativa criada com Inteligência Artificial.
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Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveu técnicas e ferramentas para o monitoramento e controle do coral-sol, espécie exótica invasora que ameaça a biodiversidade marinha brasileira. O trabalho foi realizado na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo (Rebio Arvoredo), localizada entre Florianópolis e Bombinhas, no litoral catarinense.

A pesquisa integra o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Coral-Sol na Rebio Arvoredo e Entorno (PACS Arvoredo), coordenado pela professora Bárbara Segal, do Departamento de Ecologia e Zoologia, e pelo professor Andrea Piga, do Departamento de Engenharia da Mobilidade da UFSC Joinville. O objetivo é reduzir os impactos do coral-sol (Tubastraea coccinea), que compete com espécies nativas e altera o equilíbrio dos ecossistemas recifais.

Monitoramento e controle da espécie invasora

O coral-sol é originário do Indo-Pacífico e chegou ao Brasil na década de 1980, provavelmente por meio de navios e plataformas de petróleo. Na Rebio Arvoredo, a espécie foi identificada pela primeira vez em 2012. Segundo os pesquisadores, a presença do coral é mais intensa na Ilha do Arvoredo e em uma área de naufrágio na Ilha da Galé.

Entre 2022 e 2025, foram realizadas 140 horas de monitoramento, com 114 mergulhos e cerca de 65 quilômetros de costões rochosos percorridos. A partir desse levantamento, a equipe desenvolveu métodos de remoção mecânica e controle da regeneração, utilizando equipamentos como marteletes, escovas elétricas, pistolas injetoras e aplicação de luz ultravioleta.

Protocolo para unidades de conservação

Além do controle local, o grupo trabalha na elaboração de um protocolo de monitoramento, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), para sistematizar ações semelhantes em Unidades de Conservação federais afetadas por espécies invasoras.

O projeto foi uma exigência do Ibama no licenciamento ambiental da empresa Karoon Energy, responsável pelo financiamento da pesquisa, com gestão da FEESC. Embora o projeto tenha sido concluído em 2025, o monitoramento continua até março de 2026, com expectativa de que as soluções desenvolvidas possam ser replicadas em outras regiões do país.

Os pesquisadores destacam que a participação da sociedade também é fundamental. Mergulhadores e frequentadores do ambiente marinho podem ajudar identificando e registrando ocorrências do coral-sol, sempre evitando qualquer tentativa de remoção sem orientação técnica especializada.


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