MPSC pede fim de lagoas da Casan na Lagoa da Conceição

Ação civil pública aponta riscos ambientais e pede recuperação de área protegida nas dunas da Lagoa da Conceição, em Florianópolis

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 11 de março de 2026

8 min.
MPSC pede à Justiça a desativação das lagoas da Casan na Lagoa da Conceição após danos ambientais e rompimento ocorrido em 2021

MPSC pede à Justiça a desativação das lagoas da Casan na Lagoa da Conceição após danos ambientais e rompimento ocorrido em 2021. - Foto: Reprodução/Tripadvisor

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) entrou com uma ação civil pública para pedir à Justiça a desativação das lagoas de evapoinfiltração utilizadas pela Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) da Lagoa da Conceição, em Florianópolis. A medida também solicita a recuperação ambiental da área afetada nas dunas da região, considerada ambientalmente sensível.

A ação foi protocolada pela 22ª Promotoria de Justiça da Capital e tem como principal referência o rompimento de uma das lagoas em janeiro de 2021, episódio que provocou o extravasamento de efluentes e atingiu áreas protegidas.

De acordo com o Ministério Público, o problema afetou área tombada, área de preservação permanente (APP) e parte do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, unidade de conservação localizada no leste da Ilha de Santa Catarina.

Processo envolve quatro órgãos públicos

A ação judicial foi movida contra quatro instituições responsáveis pela gestão do sistema e pela fiscalização ambiental:

  • Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan)
  • Município de Florianópolis
  • Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram)
  • Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA)

Segundo o MPSC, o objetivo é interromper o uso de um modelo de tratamento de esgoto considerado inadequado para a região, além de evitar novos episódios de impacto ambiental.

Rompimento de 2021 motivou a ação

O rompimento da lagoa de evapoinfiltração em janeiro de 2021 é apontado como o principal episódio que levou o Ministério Público a recorrer à Justiça.

Na ocasião, houve o extravasamento de efluentes da estação de tratamento, o que provocou contaminação e impactos ambientais em áreas naturais protegidas.

Laudos técnicos e perícias citados no processo indicam que o colapso da estrutura não teria sido um evento isolado. De acordo com os documentos, falhas acumuladas ao longo do tempo, manutenção considerada inadequada e limitações estruturais do sistema teriam contribuído para o problema.

Os relatórios também apontam que o risco de rompimento já era conhecido, afastando a hipótese de força maior.

Área tem proteção ambiental

A região onde as lagoas estão instaladas possui diferentes níveis de proteção ambiental.

O local está inserido:

  • em área natural tombada desde 1985;
  • em área de preservação permanente de restinga fixadora de dunas;
  • dentro do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição.

Essas áreas fazem parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, que estabelece regras específicas para a preservação ambiental e limita atividades que possam comprometer os ecossistemas.

Lagoa emergencial também é questionada

Após o rompimento da estrutura em 2021, foi criada uma lagoa considerada emergencial para manter o funcionamento da estação de tratamento.

No entanto, segundo a ação do Ministério Público, essa solução provisória não eliminou os problemas estruturais existentes, mantendo o risco de novos extravasamentos.

Estudos técnicos citados no processo apontam que as características geológicas e hidrogeológicas da região, somadas a períodos de chuva intensa, podem aumentar a possibilidade de novos incidentes.

Tribunal de Contas também analisou o caso

Auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC) já avaliaram a situação das lagoas de evapoinfiltração.

Os relatórios recomendaram:

  • desativação completa das lagoas;
  • recuperação ambiental da área afetada;
  • implantação de uma solução alternativa para o tratamento dos efluentes.

Pedidos apresentados à Justiça

Na ação civil pública, o Ministério Público solicita uma série de medidas.

Entre os principais pedidos estão:

  • interrupção imediata do lançamento de efluentes dentro do parque e em áreas tombadas;
  • substituição das lagoas por um sistema definitivo fora da unidade de conservação;
  • elaboração e execução de projeto de recuperação ambiental da área degradada;
  • monitoramento contínuo do lençol freático;
  • responsabilização dos envolvidos pelos danos ambientais.

O MPSC também pede a suspensão da emissão de novas licenças, alvarás e autorizações para construções na área de influência da estação, até que seja apresentada uma solução definitiva para o sistema de tratamento de esgoto.

Ministério Público pede indenização ambiental

Além das medidas estruturais, o Ministério Público solicitou à Justiça uma indenização por dano moral ambiental coletivo no valor mínimo de R$ 10 milhões.

Caso a condenação seja confirmada, o valor deverá ser destinado ao Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, com aplicação em ações previstas no plano de manejo da unidade de conservação.

A ação também pede a instalação de placas informativas no entorno das lagoas, alertando sobre a existência do processo judicial e sobre os impactos ambientais relacionados às estruturas.

Caso aguarda decisão judicial

A ação civil pública agora aguarda análise do Poder Judiciário. O primeiro passo será a avaliação do pedido de liminar, que pode determinar medidas imediatas.

Posteriormente, a Justiça deverá analisar o mérito do processo e definir as responsabilidades dos envolvidos no caso.


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