A mortandade de peixes registrada no dia 22 de abril no Parque Natural Municipal do Manguezal do Itacorubi, em Florianópolis, ganhou interpretações divergentes entre especialistas. Enquanto o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) aponta, de forma preliminar, para a influência de florações de microalgas, uma nota técnica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) atribui o fenômeno à poluição crônica por esgoto não tratado.
O documento da UFSC, elaborado pelos pesquisadores Alessandra Larissa Fonseca e Paulo Horta, afirma que a causa principal da morte dos peixes foi a asfixia provocada por “zonas mortas” — áreas com níveis críticos de oxigênio dissolvido na água, inferiores a 2 mg/L.
Segundo os pesquisadores, esse cenário é consequência direta da presença contínua de esgoto doméstico sem tratamento na bacia do Itacorubi. O excesso de matéria orgânica intensifica a atividade bacteriana, acelerando o consumo de oxigênio e comprometendo a sobrevivência da fauna aquática.
UFSC aponta falhas estruturais e poluição contínua
A nota técnica destaca uma combinação de fatores que agravaram o problema:
- Lançamento de esgoto doméstico não tratado
- Altas temperaturas fora do padrão
- Baixo volume de chuvas
- Falhas no sistema de saneamento
- Possível presença de substâncias tóxicas no escoamento urbano
A análise das brânquias dos peixes também sugere influência de contaminantes, reforçando a hipótese de poluição contínua como elemento central do episódio.
Os pesquisadores recomendam medidas urgentes, como:
- Remoção imediata dos peixes mortos
- Fiscalização rigorosa do sistema de esgoto
- Monitoramento ambiental constante
- Uso de ferramentas de ciência cidadã, como o aplicativo “Cientistas do Mar”
IMA aponta microalgas e mantém análise em aberto
Por outro lado, o IMA sustenta que o fenômeno pode estar relacionado à proliferação de microalgas da família Karenaceae, semelhante ao episódio registrado em março de 2024 nas Baías Norte e Sul.
De acordo com o oceanógrafo Carlos Eduardo Tibiriçá, do IMA, imagens de satélite e análises preliminares indicam que essas algas podem ter sido levadas por correntes marítimas até áreas de menor circulação no manguezal, criando condições críticas de oxigenação.
O instituto também identificou pontos com oxigênio dissolvido próximo de zero, o que pode levar à morte de espécies mais sensíveis, como a manjubinha.
Apesar disso, o próprio órgão reforça que as conclusões ainda são preliminares e que o fenômeno é complexo e dinâmico, exigindo monitoramento contínuo.
Divergência expõe desafio ambiental
A diferença entre as análises evidencia um desafio recorrente na gestão ambiental da região: identificar com precisão as causas de eventos críticos em ecossistemas sensíveis.
Enquanto a UFSC aponta para um problema estrutural e contínuo — a poluição por esgoto —, o IMA avalia a possibilidade de um evento natural agravado por condições ambientais específicas.
Próximos passos
O IMA informou que segue com análises laboratoriais e prepara um relatório técnico mais abrangente sobre o caso. O documento final deve reunir dados ambientais, imagens de satélite e avaliações detalhadas, com previsão de conclusão em até 20 dias.
Até lá, seguem as recomendações:
- Evitar contato com áreas afetadas
- Não consumir peixes encontrados mortos ou debilitados
- Acompanhar os relatórios de balneabilidade
A mortandade no Manguezal do Itacorubi reacende o debate sobre saneamento, monitoramento ambiental e preservação de ecossistemas urbanos em Florianópolis.
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